domingo, 13 de junho de 2010

minha pequenez


Essa obra aí é a Coroação de Napoleão, do Ingres, que está no Museu do Louvre. Olho pra essa monumental obra de um homem, e logo depois pra minha minúscula dimensão, logo ali à esquerda. Importante lembrar que somos menos que o menos.


Aqui estou fazendo comidinha no apê, enquanto nevava muito lá fora. Na real, postei isso por pura saudade. Época curta e boa em que eu achei que 2010 seria o ano mais produtivo e interessante da minha vida. Época boa em que viver ainda era um baita dum prazer.

em defesa da amélia

Quem me conhece sabe que eu sou um preto fajuto e sem vergonha.
Agora que estou nessa fase de reestruturação e tal, resolvi virar um preto de verdade, um verdadeiro orgulho da etnia. Comecei trabalhando feito um mouro em empregos desgastantes. Depois fui tratar de ficar forte, pra deixar de ser neguinho e virar negão (Bill Fifiti Centi).E por fim, estou escutando mais samba. Caçando coisas no youtube, indo com mais frequência na Casa São Jorge. Comprei até o vinil do Jamelão pra ouvir lá no Allan. Isso tem me feito um bem danado. Ouvir os caras do passado chorando suas lamentações de maneira tão bonita faz com que o meu sofrimento não se sinta tão estrangeiro. Sofrer de amor quando se ouve samba é resignificar a dor.

Enfim, vamos ao ponto. Estava ouvindo esses dias o Ai Que Saudades da Amélia, samba escrito por Mário Lago e musicado por Ataufo Alves em 1941. Me surpreendi enormemente. Desde a meninice eu ouvia que a música da Amélia era machista. Ouvia as mulheres dizendo que não queriam mais ser Amélia. Que quem mandava em suas vidas eram elas próprias. Eu que nunca fui um ser muito movido pelo ouvido embarquei nessa, criando a imagem icônica de uma Amélia humilhada e subalterna.

Após abrir meus ouvidos pra música, tudo se iluminou.

"Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Não vê que eu sou um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai meu Deus que saudade da Amélia
Aquilo sim que era mulher

As vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado dizia
Meu filho o que se há de fazer

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era a mulher de verdade"

O cara tá com uma mulher que é a maior patricinha. Daí ele fica lembrando de seu antigo amor. A senhorita Amélia. A Amélia era uma baita companheira. Não pedia arrego, tava sempre acompanhando o rolê, mesmo nos piores momentos. Já que citei o Allan logo antes, vou reproduzir uma história que ele me contou. Ele disse que num certo final de semana de uma época muito ruim pra ele, sua namorada Nádia ligou dizendo que iria aparecer em sua casa, na moradia, no final de semana. "Vc tá louca. Eu não tenho dinheiro nem pra comprar comida". Ela então respondeu: "então a gente passa fome juntos".

É isso mano. A Amélia era uma companheira extraordinária. Pra ela não importava todos os adornos transitórios do mundo. O que era importante era seu amor. Seu companheiro.

Mas então eu pergunto: se a Amélia era tão foda assim, o que caralho foi que o Mário ou o Ataufo fizeram pra que ela fosse embora. Porque o sujeito não continuou com ela? Mulher ponta firme assim não se acha em qualquer lugar. O que teria feito a Amélia se desiludir e abandonar o seu amor?

Minha opinião: o cara era homem. E como todo homem, fez merda.

domingo, 6 de junho de 2010

Scarlett & Eu

Abri os olhos de forma vagarosa e limpei o pouco de baba que ligava minha boca ao travesseiro. Feixes de luz do sol da manhã vindas de uma ineficiente janela aqueciam o moleton azul que protegiam minhas pernas. Nove horas. Não tinha ninguém no quarto, os caras devem ter ido pra aula. Estiquei o corpo na cama, estralando algumas articulações chaves, responsáveis pelo subsequente bem estar que me tomou conta. Estava pleno de preguiça. Puxei o cobertor vermelho e adormeci novamente.

- Bill...

Achei que tinha alguém me chamando. Talvez um sussurro. Um ronronar.

- Billzinho...

Abri os olhos e virei lentamente a cabeça na direção do suave perfume que estava me parecendo um bom motivo pra se continuar vivendo. Limpei meus olhos incrédulos e levantei minha cética sombrancelha esquerda. Ajoelhada ao lado da minha parte de baixo do beliche estava uma loirinha de cabelos encaracolados, lábios carnudos e muito vermelhos e uma camiseta comprida do Snoopy que ia até os seus joelhos.

- Scarlett Johansson?!
- Sim querido, sou eu mesmo.
- Mas, mas... vc tá falando português.
- É tive que aprender pra poder falar com vc. Fiquei esperando muito tempo vc aparecer no meu quarto, mas você nunca aprendeu inglês. Fiquei um pouco decepcionada...
- Desculpa... é que eu não fazia idéia.
- Meu amor, não se preocupe com isso. Eu já te perdoei. Já esqueci. A única coisa que importa é que o único lugar em que eu gostaria de estar agora é exatamente aqui. Com você.

Oh deus. Era ela. Meu coração explodia em milhões de suspiros de felicidade, meus olhos sentiam-se novamente em paz por aquela redefinição da imagem da beleza, e meu sorriso era enfim verdadeiro. Após tantos meses de dor ininterrupta, novamente o prazer. A vida ainda podia ter um gostinho de filme do Truffaut.

- Bem Scarlett, acabei de acordar, acho que preciso escovar os dentes.
- Não precisa, trouxe uns sonhos pra você.
- Sonhos?
- Sim, e estão quentinhos.
- É de quê?
- Adivinha...
- Uhnn... doce de leite.
- Puxa, como você é esperto.

Ela passou a mão pelo meu cabelo desgrenhado, provocando um arrepio que deixou cada centímetro do meu corpo em deliciosa desordem. Ela me deu um pacote com 3 sonhos, e também um copo de leite gelado. Enquanto comia, bebia e olhava, ela puxou um travesseiro da cama ao lado, colocou no chão, sentou bem ao meu lado. Então eu disse.

- Você gosta de ovos mexidos com pedacinhos de presunto?
- É meu café da manhã favorito.
- Posso preparar pra você. Vou colocar um pouco de cebola picada também.

Ela sorriu ternamente. Com o olhar meio perdido, confessou.

- Sinto sua falta na minha vida.
- Mas nós nunca nos vimos.
- Eu realmente nunca te vi, mas sempre te amei.
- Mas e o Ryan Reynolds?
- Nosso casamento estava fadado ao fracasso. Ele ainda ama a Alanis. E eu nunca deixei de pensar em você.
- Mas Scarlett, eu não tenho dinheiro, nem fama. Eu tenho dois empregos de merda, e ainda nem terminei a graduação. Acho que não posso te oferecer uma boa vida.
- Bobinho, não se preocupe. Com todo o dinheiro que eu ganho com meus anúncios de moda, podemos ter uma casa em cada país do mundo. Amanhã a gente pode embarcar pra Paris, tenho uma filmagem lá. Daí posso ligar pro Woody, e chama-lo pra nos encontrarmos em algum restaurante de comida chinesa.
- Woody?
- É, o Woody Allen. Ele passa todas as férias dele em Paris, junto com a Soon-Yi e as crianças. E te apresento a ele. Acho que dá até pra arrumar uma vaga de assistente pra você. O que acha?

Naquele momento, quase perdi os sentidos. Lágrimas rolaram dos meus olhos. Envolvi a Scarlett Johansson num abraço apertado, um misto de agradecimento e desespero. Ela aproximou seus lábios macios do meu ouvido e sussurrou:

- Eu vou cuidar de você.

domingo, 9 de maio de 2010

sobre objetivos

Acabei de ver Metrô 123, com o Denzel Washington e o John Travolta. O Denzel pesa 100 kilos. O que signigica que preciso de 41 kilos de músculos pra chegar ao meu objetivo.
Droga!

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As pessoas costumam comentar meus posts quando me vêem, mas poucas delas fazem comentários por aqui. Bem, é triste quando não há comentários. Ver que alguém comentou algo que eu escrevi preenche um pouco o vazio que é minha vida. Nem que seja só pra falar mal do que escrevi.

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Se perguntássemos por aí qual é a melhor pizzaria de Barão Geraldo, certamente a resposta seria Estação Santa Fé, que fechou suas portas logo no início do ano. Uma pena, já que comer lá era um prazer inegavelmente único. Caminhando por lá, notei essa recente pixação. Poderia escrever muito sobre isso. Mas prefiro não.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

memórias [ou, sobre timidez]

Acabei de ver um filme bonito demais, que me fez lembrar de um bocado de coisas. O filme se chama A Garota Ideal, e conta a história de um sujeito de 27 anos, muito gentil e extrememente tímido. Ele tem dificuldades imensas em manter contato com qualquer pessoa que seja, inclusive o irmão. Até que um dia ele traz pra casa uma garota. Mas não uma garota comum. Trata-se de uma boneca de plástico.

Tem uma cena interessante, onde ele revela pra psicóloga que sente dor quando as pessoas tocam nele. O contato provoca uma dor, como a queimadura. E em diversas ocasiões, quando num ambiente cheio de gente, seu rosto fica vermelho e seus olhos lacrimejam.

Eu me lembro de ser uma criança extremamente tímida. Extremamente. Não conseguia conversar com os adultos. Tinha vergonha de pedir pra Tia do pré me deixar ir no banheiro. Tinha vergonha das crianças rindo da minha língua presa, e do jeito engraçado como eu pronunciava o 'r'. Uma vez o papai me levou na casa de uns primos dele, e eu não quis sair do carro. Estava com uma vergonha petrificante de ser apresentado a desconhecidos. Ele ficou bravo comigo. Depois de um tempo, alguém veio me buscar. Enquanto entrava na casa, com o rosto em brasa e os olhos cheios de lágrimas, algumas crianças que brincavam ficaram me encarando.

Na escola as coisas não melhoraram. Eu sempre fui o melhor aluno da sala, e acho que rolava uma certa hostilidade das outras crianças comigo. A única criança com quem brincava era o Fernando, desde sempre meu melhor amigo. Num dia a mãe dele o levava em casa, e daí brincávamos na goiabeira, na casa da árvore que tinha lá. Brincávamos de bichos, e eu lembro que eu era o Morcego. Ou brincávamos de X-men. Eu sempre era o Wolverine. O Jefferson também brincava com a gente. E no dia seguinte a mamãe me levava na casa do Fernando, e a gente ficava pegando caramujo, pois eram caramujos com a casinha diferente das que tinham no meu quintal, e brincávamos com os bonecos dele, eu me lembro que ele tinha um do Predador, que o tio dele tinha trazido dos Estados Unidos.

Eu era seguro no meu mundo restrito.
Mas o que vinha de fora sempre me deixou desconfortável.

Na quarta série eu me apaixonei por uma menina. Tinha uma vergonha imensa de ficar perto dela, não conseguia nem olhar pra ela direito. Foi um amor escravizante. Só consegui conversar com ela pela primeira vez na oitava série. Falamos uns 40 minutos sobre filmes. Ela me disse "vc é legal, William. A gente precisa conversar mais".

4 anos.

No ensino médio, me apaixonei por outra garota. Dessa vez não podia repetir o mesmo erro. Conversava muito com ela. Mas acabei por me tornar meio inconveniente. Mesmo com tanta conversa, não conseguia dizer o que sentia. Depois de 2 anos, escrevi uma carta a ela, dizendo o quanto a amava. Passaram-se 6 meses sem nenhuma resposta. Até que nos encontramos, meio que sem querer. Ela então me disse que eu era um cara legal, mas ela não gostava de mim daquele jeito. Eu tremia, suava em bicas, e queria muito chorar. Mas mantive a calma.

Tive que dar um jeito nessa timidez.
Se não ia acabar como o personagem do filme.
Um bom rapaz, que todos gostam. Mas sozinho.

Livros de auto-ajuda, livros de psicologia, alguns manuais de vendas e gerenciamento, manual de líderes, livros e cds de oratória, Maquiavel, e muitos, muitos filmes. Demorou uns 3 anos, mas eu entendi como as pessoas funcionavam.

A timidez se foi.
Mas, sei lá, uma vez rapaz tímido, sempre rapaz tímido.
A percepção do mundo não muda. É um tipo de sensibilidade que vem com vc.

Enfim, pra terminar, hoje estou com 25 e sinto que ainda não sei nada sobre nada. Tudo que eu achei que tinha aprendido, bem, talvez seja preciso aprender de novo.

Ou desaprender.

quinta-feira, 6 de maio de 2010



Ele é o cara legal que eu nunca vou ser.

domingo, 2 de maio de 2010

sobre o acaso

Só pra constar #1: estou feliz em poder escrever este post.
Só pra constar #2: Bong Joon-ho é o melhor diretor da Coréia do Sul.

Ontem passei o dia vendo filmes. Lá pelas 5 da tarde, peguei o ônibus pra ir limpar o Woodstock. Não estava com pique de trabalhar, queria mesmo sair pra algum lugar e me despedir da minha vida tranquila, já que segunda feira eu começo a trabalhar no segundo emprego. Estava pensando em ir ver o Clash cover no bar do zé, talvez eu até aparecesse na casa São Jorge, já que o Barata vai discotecar e uma tal de Izzy Gordon me parecia uma boa pedida de samba/mpb. No caminho, comecei a ler 'o derrotista', do Joe Sacco, e fiquei impressionado em como o cara quer se parecer com o Robert Crumb. Nenhum problema nisso, ainda mais quando esse álbum contém histórias incríves e divertidas, muito diferente do habitual trabalho político do autor.

Quando estava quase chegando ao bar passei numa rua e vi um gatinho preto deitado no meio fio. Mexi com ele, que permaneceu imóvel. Estava morto. Cinco metros a frente, vi um outro gatinho preto deitado, na parte de dentro do portão de uma casa. Mexi com ele, mas, olhando pra sua boca, notei que também estava morto. Sei disso pq já tive gatinhos envenenados. Sei como morrem. Como ficam suas bocas. Mortos com certeza por um amante de cães de guerra. Situação muito covarde.

Bar limpo e arrumado e limpo, fecho e saio. Então cóla um carro e o motorista me chama. Chego mais perto e vejo que é o Leandro. Meu amigo da fase de ouro, ou seja, a fase da escola. Caceta! A Tássia estava viajando pra Argentina, então ele tava de bobeira, foi ver Homem de Ferro 2, ficou zanzando pelo shopping e resolveu dar um pulo no wood. Decidimos então ir tomar alguma coisa e falar sobre a vida. Decidimos fazer isso em Barão.

O Lê ficou feliz em saber que eu tinha minha própria casa (mesmo sendo alugada e dividida com mais 2 pessoas, mas enfim) e a gente deu um pulinho lá pra eu trocar de roupa. Fomos então pra Casa São Jorge. Pedimos uma Heineken, e ele me contou sobre o apê que tá pra sair, sobre os planos de casamento com a Tássia, e como um casório é caro pra chuchu, sobre como o celular dele tem gps e acessa a internet. E daí eu falei sobre o pé na bunda que eu tomei, que eu e a Mazu íamos casar este ano se tudo não tivesse dado errado, falei sobre a Angélica e como eu começei a me interessar por ela, e falei também sobre como isso não deu em nada, já que a minha capacidade emocional tá toda zuada ainda. Falei que era estranho planejar um futuro não habitado por aquela pessoa com quem vc compartilhou a totalidade da sua vida e do seu coração durante tanto tempo. Então ele falou que estava curtindo sertanejo universitário e eu ri.

Pedimos uma porção de bolinhos de bacalhau, que comemos rezando, trocamos idéia com o dj e curtimos o som da senhora Izzy Gordon. A mulher manda muito. Falei sobre como isso é imprevisível e surpreendente, quer dizer, durante todo o dia eu tive a certeza de que meu sábado ia ser deprimente, e aí acontece esse encontro absolutamente inesperado e eu me pego pensando em como planejamentos são frágeis frente ao poder totalitário do acaso.

Saindo de lá, demos um pulo no bar do zé.

Resolvi ficar. O Leandro foi, acho que tava cansado.

Clash cover, banda boa, mais uma heineken de leve.

Voltei pra casa relativamente bêbado e bastante feliz.

sábado, 1 de maio de 2010

sábado de tarde...

São muitas coisas pra fazer. Muitas opções. Mas pouca vontade de fazer qualquer uma delas.

Acabei de ver um bom filme, Adventureland. É um daqueles filmes onde o diretor conta uma história que aconteceu com ele no final da adolescência e início da vida adulta, com uma certa dose de saudade e melancolia. O personagem principal é um rapaz legal, um cara bonzinho, ainda virgem, que se fode o filme todo, até que a garota perdida, por quem ele é apaixonado, resolve dar uma chance pra ele.

Eu fui virgem durante muito tempo da minha vida. Acho que mais do que a maioria dos caras normais. Faz uns 6 anos que passei a ser um homenzinho de verdade, mas, de qualquer forma, acho que pra caras que passaram toda a adolescência sendo esnobados por todas as meninas da escola, e que sempre se apaixonavam perdidamente por garotas que os consideravam legal demais pra tentar algo mais e estragar a amizade, bem, o aparelho de percepção da realidade fica permanentemente modificado. É uma pegada de aperceber a realidade com uma outra sensibilidade.

Teve um diálogo engraçado no filme, entre o amigo do protagonista e uma garota que estava dando em cima dele, numa balada.

- O que vc está estudando?
- Literatura russa e línguas eslavas.
- Que interessante.
- É
- E que carreira poderá ter?
- Taxista, vendedor de cachorro-quente, entregador de maconha. Várias possibilidades.

***

Bem, se você vai a uma festa, e resolve dançar e se divertir, legal. Talvez a noite seja realmente divertida. Mas tenha certeza que muita gente vai rir de você, e comentar sobre como vc é esquisito dançando.
"Dançar é se mexer loucamente sem parecer idiota" PC Siqueira.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

papinho rápido logo de manhã

Ai, ai, ainda tô morrendo de sono, já que acordei antes 7:30 pra atender a mulher que faz faxina. Estou esperando a clínica veterinária abrir pra saber se os cachorros precisam de vacina, então, por que não escrever um pouco?

Duas coisas boas que me aconteceram essa semana: a festa de groove no ifch na quarta, e ter visto o filme carioca 'apenas o fim', do Matheus Souza, ontem. Na festa, tocou muito samba rock, e eu tava numa pegada mesmo de dançar. Foi divertido, vários bons amigos estavam lá, e o dj (Barata, meu veterano da filosofia) só mandou musicão. Fiquei pensando muito em como eu sou um sujeito mais feliz e pleno quando ouço música brasileira feita dos anos de 1970. Talvez esse seja um interessante caminho a ser explorado. Quanto ao filme, 'apenas o fim', se trata de uma versão jovem e brasileira do Annie Hall, mas com menos pretensão. É evidente que estou exagerando demais, mas, de qualquer forma, esse me pareceu um dos filmes nacionais mais inteligentes interessantes que me lembro de ter assistido. Muito verdadeiro e tal.

***

Um dos maiores inconvenientes de se estar com a vida completamente zuada, é que vc não tem condições nem de cuidar de si mesmo, então, quem dirá lidar com as pessoas que estão à sua volta. Eu acredito completamente que gente na minha situação fica chata e insuportável, e nesse sentido meus amigos são de uma paciência budista inesgotável, tamanha quantidade de choramingos que despejo em seus ouvidos diariamente. A alternativa pela qual eu optei é com certeza a mais idiota que eu tinha em vista, mas cumpria o objetivo de me tirar de circulação da vida: arranjar um segundo emprego. Bem, e a consequência disso é que fica impraticável mesmo manter uma relação interpessoal de qualquer natureza trabalhando em 2 empregos e cursando universidade. E é um saco ter que abrir mão de gente aparentemente interessante. Acontece tão poucas vezes na vida, isso de conhecer quem vale a pena. Bem, não dá pra se ter tudo na vida, né.

***

Na terça feira a Mariana Aydar fez um show de uma hora e meia lá no Dom Pedro. Isso foi bem legal. Definitivamente salvou o meu dia.


***

Pensei que fosse escrever mais, mas é só isso mesmo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

sobre o bizarro que me espreita

Domingo, 4 bandas de hardcore no Woody. Saio de lá quase 11 da noite, cansado e com muita fome. Espero o ônibus no ponto. Sozinho. Então aparece um cara de uns 30 e tantos anos, roupas apertadas, muito magro e muito gay. Me pergunta as horas.
- Dez pras onze.
- Ai, brigado. Qual é seu nome?
- Will.
- Oi Will, tudo bem? Meu nome é ... (não me lembro o nome dele). Você tá indo pra sua casa?
- Tô.
- Onde você mora?
- Ahnnnn..., perto do Dom Pedro.
- Ah, tá. Ai eu estou num estado de nervos que vc nem imagina. Tem essa pessoa, que eu gosto dela, sabe? E eu sou sensitiva. Passei 27 anos dentro da Umbanda, mas isso já passou, faz 5 anos que não boto o pé lá. Então, essa pessoa, eu vi a mão esquerda dela, e tava dizendo que a gente ia ficar junto. Só que eu não quero saber de enrolação. Você mora com os seus pais?
- Ahmnnnm, não, moro sozinho.
- Eu também. É bom morar sozinho, né?
- ...
Você acredita que hoje essa pessoa me ligou às nove horas da manhã só pra me falar oi?
- Ele só te disse oi?
- É.
- E mais nada?
- Ah, eu desliguei o telefone, já não aguento mais tanta enrolação. Se é pra ficar comigo, vamos morar junto, eu não acho ruim. Mas tem que se decidir. Porque se ele não me quiser, eu saio e consigo outra pessoa. Eu sou sensitiva, sabia? De que signo vc é?
- Ariano.
- Não, de que signo vc é?
- Ahnnnnn, Áries
- Ah, tá. Eu sou uma médium inconsciente. Depois que o santo baixa em mim, eu só fico sabendo sete dias depois. Ás vezes são 14 dias, e em outras 21. Sou médium de 4 fusíveis. Recebo o Exu, a Pomba-gira, o Cosme e Damião, o Preto e a Preta velha, e Iemanjá, de frente e de costas [enquanto fala os nomes de cada um, vira pro lado e começa a esbravejar "fica quieto que eu não quero mais saber de vc", "eu sei que vc tá aí", "fica no seu canto"].
- Mas aí vc saiu da Umbanda.
- É, eu fui pro espiritismo.
- Ah, legal. Vai até hoje?
- Não, faz 5 anos que vou à Igreja Adventista.
- (!) Legal...
- Ai, anota meu telefone, aí
- Ahnnnnnn, éé..., tipo, acho melhor não. Meu celular tá zuado.
- Mas anota aí, vc me liga do orelhão. Só pela amizade.
- Melhor não, eu sou muito pilantra, se eu anotar não vou te ligar depois.
- Você tava onde?
- Trabalhando.
- Onde vc trabalha?
- Num bar aqui perto.

O 134 aparece.

- Meu ônibus chegou. Té mais.
- Tchau, depois eu passo lá no seu trabalho pra gente conversar mais, tá.

Entro no ônibus rindo. Passo a catraca e sento no banco. Abro a mochila pra procurar a coletânea de quadrinhos que eu tava lendo. Percebo que esqueci lá no bar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

os presentinhos de aniversário

Fiz 25 anos no dia 10 de abril.

Perdi a namorada e ganhei 4 presentes.

O primeiro foi um almoço, que o Ruy pagou pra mim.

O segundo foi um fusquinha e uma camiseta, que o Reinaldo me deu.

O terceiro foi um velho livro de filosofia que a Elessandra me deu.

E o quarto foi uma garrafinha de licor de cachaça que a Carol me deu.

Eu gosto de presentes. Muito.

Obrigado a todos vcs.

A vida continua na tênue linha entre o suportável e o insuportável, mas esse tipo de coisa me dá forças, significa muito pra mim. De verdade.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Oi. Como vai você?

Para suportar o limbo que se tornou a minha vida nessas últimas semanas, tenho recorrido a diversas atividades. Uma delas é o treinamento de Bujutsu, toda terça e quinta, do meio dia até uma e meia. Tenho também ido à musculação, pelo menos 5 vezes por semana. Deixa eu ver o que mais... ah, tenho lido bastante, semana passada terminei o Trilogia Suja de Havana, do Pedro Juan Gutiérrez, um outro sobre documentários, escrito pelo Amir Labaki do É Tudo Verdade, e estou lendo agora, em conjunto, A História da Arte, do Gombrich, e A História da Beleza, que é organizada pelo Umberto Eco. Tenho me masturbado muito também, então significa que dei uma olhada em praticamente todos os vídeos que saíram no YouPorn e no PornHub das últimas, sei lá, 6 semanas... eu não me orgulho disso, viu. Bem, tenho escrito umas coisas também, mas não vou falar muito sobre isso pq é um negócio que eu vejo algum futuro. Mas é legal voltar a escrever ficção. Ah, sim, e tem os vídeos do PC que eu estou assistindo com alguma assiduidade no youtube. Pra quem ainda não conhece, esse paulistano vesgo tem um canal no youtube onde ele posta vídeos falando basicamente merda. De qualquer forma, assistir a um vídeo desse cara me ajuda muito a levantar o moral pra encarar essa vidinha que eu tô levando. É realmente bem engraçado.

Acho legal isso, um cara realmente engraçado.
É tipo um daqueles caras que parecem um dos seus amigos esquisitos.
Um tipo de Woody Allen jovem e ranzinza.

Enfim, fica aí a dica pra quem quiser esperimentar!







quinta-feira, 15 de abril de 2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

sobre grana, quadrinhos, filmes, tristeza e todo esse blá blá blá choroso de sempre

Hoje eu estava na Unicamp e a Mazu me liga. Precisava que eu voltasse pra casa pra escanear uma conta e envia-la por email. Estava com o tempo corrido, mas fui pra casa. Quando cheguei no bar da esquina, o que é que eu encontro amassado no chão??? 50 reais. Lindo! Amassadinho. Me esperando.

Resolvi me dar um presente, já que meu aniversário está chegando, e a única coisa que talvez eu ganhe (da minha namorada) é um dvd pornô. Peguei o ônibus e fui ao cinema. A idéia era ver o novo filme dos Irmãos Hughes, O Livro de Eli. Esses caras dirigiram seu último filme em 2001, adaptando a monumental obra de Alan Moore, Do Inferno. Claro, os fãs de quadrinhos detestam esse filme. Mas me parece uma obra de muito vigor, com imagens de cores muito fortes e atmosfera muito densa. Estava apostando alto no filme.

Cheguei às 5 da tarde, mas só tinha sessão às 7 da noite. Fui zanzar pelo shopping, já meio amargo e sentindo aquele característico vazio de viver.

[estou cansado. Amanhã termino de escrever!]

quinta-feira, 1 de abril de 2010

brincando com história da arte



Taqui um clipe que eu assisti e reassisti ontem o dia inteiro. O nome dessa deliciosa banda francesa é Hold Your Horses. Reconheci a maioria dos quadros apresentados no clipe, mas ainda tenho dificuldades em me lembrar do nome da obra e do ano em que foi feita. Portanto, a seguir, tentarei identificar as obras citadas.

A primeira é bem fácil. A Última Ceia, de Leonardo da Vinci (1495-1497)

O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli (1483)

A Lição de Anatomia do Dr. Tulp, de Rembrandt (1632)

Moça com brinco de pérola, de Johannes Vermeer (1665-1666)

A Balsa da Medusa, de Théodore Géricault (1818–1819)

A Morte de Marat, de Jacques-Louis David (1793)

A Criação de Adão, de Michelangelo Buonarroti (1511) - afresco

O Filho do Homem, de Rané Magritte (1964)

Composição em Vermelho Amarelo e Azul, de Piet Mondrian (1926)

O quadro da Frida me parece uma mistura de 2 de seus autorretratos.
Autorretrato de Traje de Terciopelo, de Frida kahlo (1926)

El Março, de 1938

A seguir, acredito que seja esse o Picasso citado, mesmo não sendo
exatamente igual: Figuras, de Pablo Picasso, 1945

O Grito, de Edvard Munch, (1893)

Auto-Retrato com a Orelha Enfaixada, de Vincent van Gogh (1889)

Marilyn Monroe, de Andy Warhol (1964)

Anónimo, Atribuído à Escola de FONTAINEBLEAU (cerca de 1594)

Esse eu não consegui identificar de jeito nenhum de quem é...

Salomé Com a Cabeça de São João Batista, de Caravaggio (1607)

Olympia, de Edouard Manet (1863)

A Liberdade Guiando o Povo, de Eugène Delacroix (1830)


(aquele do sujeito sentado, em vermelho, com quadrados pela roupa e um
circulo ao redor dos olhos, meu, não descobi nem fodendo que obra é!)

O Beijo, de Gustav Klimt (1907)

A Noiva, de Marc Chagall (1950) [essa eu dedico à minha querida sogra, a Cidinha, por ter me presenteado com uma maravilhosa biografia do Chagall]

As Meninas, de Diego Velázquez (1656)

Doze girassóis numa jarra, de Vincent van Gogh (1888)


Puxa vida.

Demorou, mas consegui.

Só faltou aquele cara tocando o banjo, que aparece do lado do Moça com Brinco
de Pérolas, e aquele do sujeito sentado em vermelho. Se alguém tiver dicas,
serão muito bem vindas.

:D