quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Um 'recorta e cola' no mestre Inácio

Nesta postagem datada de 18/12/2009, o crítico de cinema Inácio Araújo fala sobre coisas que ecoam muito forte em mim, ainda sob o efeito do filme "é proibido fumar", da Anna Muylaert que eu ainda não vi.

Recomendo a leitura.

"O cinema não pensa, o cinema mostra

Queria só dizer algo sobre "É Proibido Fumar", mas acho que terei de defender "É Proibido Fumar"

Por onde começar?

De todo modo "é a forma que eleva e que educa", disse Robert Bresson.

Estou partindo de algum lugar, não sei. Estou voltando a "É Proibido Fumar".

Perguntando o que, afinal, é arte?

Por que uma coisa é arte e outra não é?

O que diferencia um retrato de Rembrandt de um do Roberto Camasmie?

Um texto do Kafka de um da Danielle Steel.

Estou partindo de alguns comentários no blog. Não sei aonde vou chegar.

Começo por alguém que escreveu dizendo que um toque de um carro não dá pra matar ninguém.

Ora, eu poderia responder o seguinte: sim, e saltar de 500 metros e sobreviver, como faz Harrison Ford em "O Fugitivo", dá?

Isso quer dizer que não vale a pena ver "O Fugitivo"?

Claro que não, é um baita filme. Mas não se trata de "perdoar" o filme por aquela cena. O filme existe por causa dela.

A vida é inesperada. Sei de gente que caiu de cinco andares e só quebrou uma costela.

É a mesma coisa com "É Proibido" com a morte/acidente.

Uma ficção só existe em torno e em função de coisas inusuais. Senão, qual é a graça?

Pode-se objetar que também deve transmitir verdade, que se não temos o sentimento da verdade, não adianta.

Então eu volto ao Jorge Luis Borges. Ele tenta definir arte. E conclui que arte é aquilo que nos faz felizes.

Curto e grosso. Não adianta nada alguém dizer que arte é "Cidadão Kane" se eu olhar para aquilo e não me sentir feliz.

Ao mesmo tempo, acho que não dá para se dar ao conforto de olhar para o filme, o "Kane", por exemplo, e simplesmente dizer: ah, esse cara não sabe o que faz, ele enrola tudo, bota o fim no começo, o começo no fim etc.

Quem se conforma fácil assim vira preguiçoso e só consegue engolir o que já vem mastigado.

Ou seja: a norma.

O que é a norma no cinema? Um caso. No cinema clássico só se usava um close em momentos de máxima dramaticidade. O close era tanto melhor quanto fosse reservado a esses pontos altos do filme.

Se vc. estacionar nesse critério, quando entra o Sergio Leone, digamos, que só filma faroeste em close, ou o Bergman, ou um cara assim, vc. vai dizer: está tudo errado.

Não está. É que o cinema moderno abandonou certas normas tradicionais, então a escrita é diferente, não tem mais regras.

Em tudo é assim. Me parece bobo aquele escritor, Tom Wolfe, chegar e dizer, com ar de quem descobre a pólvora, que o cubismo só existiu porque o Picasso não sabia desenhar.

É achar que a arte não tem nenhuma relação com o mundo, com a vida, é coisa sem significado. Ele pensa que a pintura continuaria a representar objetos e pessoas depois do cinema e da fotografia, o que é ridículo.

Com o cinema nacional às vezes não é muito diferente.

Parte-se do princípio de que o cara não entende nada do que faz e que nós estamos aí para corrigi-lo.

E não de que, diante de uma obra de arte, devemos lutar para, ao menos, tentar entendê-la.

Mas chega disso. Quero falar do cinema da Anna Muylaert. Ela fez um telefilme, "Para Aceitá-la Continue na Linha". Achei tão interessante que, se esse projeto de telefilme da TV Cultura (e, se não me engano, da SEC) não der em mais nada já terá valido a pena.

Bem, a horas tantas há duas irmãs conversando. Uma é magrinha, a outra é gorda. E a primeira reação é de estranhamento. Como assim, irmãs? São tão diferentes. Depois a gente lembra desses irmãos que não têm rigorosamente nada a ver um com o outro. Um é baixo, outro é alto, um é moreno, outro é loiro. E assim vai.

Ela não faz disso um tema. Bota lá e pronto. É uma relação com as coisas, direta. Com a observação das coisas.

Ela evita dramatizar. Imagine alguém que chantageia seu marido. O marido vem e conta para a mulher. Ela se descabela. Chora à noite. O marido não consegue dormir à noite, pensa em maneiras de calar o chantagista para sempre etc. etc.

Isso é o de sempre.

A Muyalert não faz assim. Ela retira toda dramaticidade. Se bobear, bota uma piada no meio.

Ela é da escola do Hawks: o que é é.

Cinema da matéria. Sem psicologia, sem idéias. A matéria.

Não precisa de psicologia. Ela filma os mais belos quintais que eu já vi. É uma especialista em filmar exterior-fundos: o pátio do prédio, a rua de trás.

Parece fácil. Só parece.

A arte da contenção é difícil, porque é rigorosa.

Nada de fazer um geral da av. Rebouças congestionada, gente xingando, o rádio falando do congestionamento, um flash back com o cara guiando sem trânsito nenhum às duas da manhã.

Outra coisa.

Uma placa indica a rua. Um plano fechado dos carros que se movem para a frente, uns perto dos outros. A câmera os acompanha, apenas. Não comenta, nada. Mostra.

Para começar, não tem flash back. É só o momento. O que acontece.

Parece fácil, mas não é. Porque é superficial. E ser superficial não é fácil, porque você tem de mostrar o mundo a partir das roupas, dos rostos, dos carros, dos gestos.

Parece que não tem conteúdo. O Hawks também não parecia. O Rohmer também não. O Renoir idem. Os cineastas desse tipo parece que são meio banais.

É preciso esperar, deixar que o filme viva com você um pouco. Porque não é para pensar a respeito. Não há o que pensar.

"O cinema não diz, o cinema não pensa, o cinema mostra", Eric Rohmer disse.

Então a gente tem, como dizia o Mizoguchi, que a cada dia levantar e lavar os olhos, para ver quando as coisas modernas estão na nossa frente.

Meu Deus, eu estou ficando sentencioso. Vamos parar já."


Pra quem quiser mais:
http://inacio-a.blog.uol.com.br/

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

sobre presentes no natal

Minha familia nunca teve a tradição de trocar presentes no natal.
No natal, íamos na igreja, e depois do culto todos jantavam juntos.
Agora que tenho namorada, e cunhada, e sogro, e sogra, as coisas mudaram.
É o segundo ano que passo com eles. Aqui há a tradição de dar presentes no natal.
Até que é legal esse lance de ganhar coisas.
Posto a seguir as coisas que ganhei esse ano.

Aqui é o presente da Mazu, o Gênesis, ilustrado por Robert Crumb

.

Esse é presente da minha sogra Cidinha

Esses também são da Mazu

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Minha centésima postagem!

Hoje, dia de natal, celebro minha centésima postagem homenageando o papa e uma corajosa mulher.

Cito a seguir a obra de Maurizio Cattelan, La Nona Ora, de 1999, escultura onde vemos o papa João Paulo II atingido por um meteorito.



Me lembrei dessa obra ao ver pela tv a garota italo-suíça de 25 anos, que pulou a cerca da igreja e puxou o Bento XVI para o chão. Eu não sou a favor de violência, e é lamentável que isso tenha acontecido. Mas lá no fundo eu me diverti um pouco. Mesmo respeitando todas as crenças, eu não sou lá muito fã do papa.

Como prometido pra Marília, começo aqui a minha lista de grandes mulheres de nosso tempo!

:D



Feliz natal a todos!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

as mulheres da música

uma bela música de lenine.
uma daquelas de listas, que eu adoro.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

por uma vida com mais safadeza

Vamos deixar um pouco a política e a falta de sentido da existência de lado, e dar uma espiada no ensaio que a Scarlett Johansson & Dita Von Teese fizeram!

Scarlett, garota, assim você mata o Billzão!
hauahauhahshhshshshshs!!!






segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

sobre esperteza

Minha prima deve ter uns 6 anos. Perguntou o que era isso no meu braço. Mostei então a tatuagem do zé do caixão. Ela ficou espantada, com aquela fascinação prória que o horror causa. '-Tem mais?' '-Tem mais nove' '-Nove!?!' E então eu tirei a camisa e mostrei a ela. '-Você anda sem camisa por aí?' "-Não' '-Então, se ninguém vê, porque é que você fez tatuagens?' Não soube mais o que responder.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

sobre luz no fim do túnel

[esse texto foi escrito sob a influência da última aula do Marcos Nobre, ontem]

Vou retomar aqui o caso da Geyse e de toda aquela selvageria ocorrida na Uniban. Os rumos da história foram: Aluna é hostilizada em universidade particular em São Paulo. Um vídeo da aluna sendo escoltada pela polícia vai pro youtube. Opinião pública fica indignada com atitude dos alunos linchadores. A imprensa (principalmente a Record) explora até a última gota o acontecido. A garota é expulsa da universidade. Opinião pública obriga a universidade a recuar em sua decisão de expulsão. Geyse aparece em jornais, programas de auditório, em capas de revista e jornais, grava com o casseta e planeta e recebe proposta pra posar na playboy.

Restou a questão: haverá punição pra algum dos alunos que ameaçaram a Geyse (tanto as meninas que a chamavam de puta, quanto os caras que diziam querer estuprá-la)???

Não consegui notícias sobre o caso. Mas o meu interesse ao escrever isso aqui é sobre a opinião de grande parte das pessoas sobre qual deveria ser a punição adequada àqueles que queriam linchar a garota. Basta ir a uma padaria ou a um boteco e puxar assunto, pra ouvir basicamente duas alternativas: expulsar os alunos ou prendê-los. Pra que assim eles sintam o peso daquilo que fizeram, pra que aprendam a lição de uma vez por todas.

Mas a questão é: isso funciona?

No caso de expulsão de qualquer um dos alunos que queriam estuprar a Geysa, a uniban apenas transferiria um aluno misógino com grande potencial agressivo pra uma outra instituição, pois o que não faltam no Brasil são esses consórcios de diplomas. E no caso de botar na cadeia, bem, isso só pioraria, e muito, a situação do sujeito. Cadeia não recupera ninguém, só piora. Pra ser totalmente contra o confinamento de gente em cadeia, basta ver 'o prisioneiro da grade de ferro' e 'ônibus 174'. Pelo menos pra mim bastou.

É interessante como muita gente acredita que botar gente na cadeia ou bani-lo de outra forma da sociedade pode resolver o problema de não-adaptação às regras sociais. Será que algum dia será possível tentar resolver problemas desse tipo sem envolver justiça, tribunal, leis e juízes na parada?

Me lembro, quando criança, de assistir algumas reportagens sobre famílias de vítimas de assassinato confrontando o assassino preso. O cara ficava numa sala, sob a supervisão de um guarda, e o representante da família entrava e se sentava na frente dele. Daí ele dizia o que queria. Podia xingar, dizer que Jesus o perdou, simplesmente chorar. Na época eu achava um negócio super babaca, era mais fácil matar o assassino e problema resolvido. Hoje eu acho essa experiência um négócio muito interessante. Talvez 10 anos de cadeia não mudem em nada a opinião do sujeito acerca do crime que cometeu. Mas ouvir o marido, a esposa, os filhos, os pais da pessoa que ele matou, bem, acredito que mexa de alguma forma com o cara.

Talvez um mundo menos rancoroso possa lidar melhor com as suas patologias. Desde que esteja disposto a dialogar. Se a uniban fosse controlada por verdadeiros educadores, e não por empresários, deveria propor palestras rotineiras para todos os cursos, com grupos que trabalham com a questão de gênero, pra tentar tratar dessa misoginia tão forte. Fomentar grupos que discutam questões como homofobia e racismo. Tipo, fazer com que esses alunos falem, se expressem, que tentem sustentar as razões de sua opinião. Os responsáveis por xingamentos e tentativa de agressão à Geyse deveriam se reunir com ela, com a presença de alguns professores, e tentar estabelecer um diálogo onde eles poderiam deixar claro o motivo de tanto ódio. Bem, essa Geyse bem que pode ser uma grande filhadaputa, sei lá. O importante é criar espaços possíveis de discussão pra canalisar esses sentimentos. Tentar deixar claro que tentar estuprar a garota não resolverá o problema.

Menos polícia, menos tribunal, menos leis, menos ódio.

Talvez um dia seja possível.

sobre coragem


Taqui o que o Lula devia ter feito pro Mahmoud Ahmadinejad.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

pqp, até que enfim caras que concordam que o anticristo do lars é uma bosta


Putz,
demorou, mas encontrei pessoas que concordam com a minha impressão acerca do último filme do Lars Von Trier. Fiquei realmente surpreso ao constatar que todos com quem eu conversava sobre o filme havia gostado muito. Gente que entende de filmes, tipo, achei bem estranho. Como eu ando numa pegada de escrever menos e ler mais o blog dos outros, reproduzo a seguir dois textos retirados do Multiplot (http://multiplot.wordpress.com/)

O primeiro é de Djonata Ramos, e o segundo de Luis Henrique Boaventura.

A internet é legal.

A gente não se sente tão só assim no mundo...

"Vem sendo bradado aos quatro ventos que Antichrist é um filme difícil, e eu concordo. É um filme difícil de assistir. Mas não por ser extremo, brutal, ou demasiado simbólico/ideológico, mas sim, por um motivo bem mais simples… é um filme ruim. A sensação é que o Von Trier se perdeu dentro de si mesmo e de suas idéias, um filme que se sustenta basicamente por sua fama de agressivo, ou metafórico, não pode ser, de fato, muito substancial.

Parece que há uma clara inversão de valores, ao passo que metáforas e cenas isoladas devem – ou deveriam – fazer parte dum todo, senão você apenas elenca separadamente tais qualidades mas ressalta a fraqueza narrativa da obra. É o caso. Aqui temos duas atuações estupendas soterradas por um filme mal conduzido, capenga. É muito fácil dizer que é algo experimental como forma de tentar diminuir a fraqueza narrativa da obra, mas isso é conversa pra boi dormir, uma forma de defender o indefensável. Ser experimental, metafórico (raposa falante, sei, interação com a natureza, isso até Dr. Dolittle é mais feliz, haha) ou ousado, não é sinônimo de qualidade.

E esse papinho de que é um filme pra quem tem cérebro (só os inteligentes podem ver? rá!) é outra tentativa insegura e frustrada de defender um pobre ponto de vista. O cinema é sensorial sim, e pode ser que alguém goste desse filme, mas por favor, não por esses motivos rasteiros e sem se blindar contra críticas – “eu gostei, sou inteligente, você não”.

PS: Por sinal, tem um filme deste ano com a temática similar, mas superior. Grace, de Paul Solet.

Djonata Ramos"


"Falávamos, o Djonata, Robson e eu, nessa tarde de domingo enquanto o jogo não começava, sobre todo esse conceito de filmar pela mensagem, não pela própria imagem instantânea correndo na tela. De deliberadamente fazer de seu filme um dependente sine qua non de algo que o espectador precisa buscar do lado de fora, praticando a subversão da condição mais básica para que um filme seja, afinal, um filme: o prazer pela imagem. Pura e simples. É por isso que quando Von Trier percorre cada fotograma não apenas assumindo que seu filme não está ali, presente na tela, mas exigindo que sua real “apreciação” (ê termo maldito) se dê por uma simbologia externa ao áudio e ao vídeo de momento, ele está inventando algo a que pode dar o nome de qualquer coisa, menos cinema.

Sabe, há algo acontecendo aí fora. OK, você pode ter gostado do filme mesmo que exatamente por essa metaforização-quadro-a-quadro, ou talvez porque julga que ele funcione e muito bem enquanto simplesmente cinema. Nenhuma surpresa quanto a isso, não estou “contra” um eventual e sincero “gostar de Anticristo”, o que seria simplista e absurdo. O caso é que o Von Trier blindou a si mesmo de tal forma que, mais de uma vez, já li internet afora que é preciso inteligência e bagagem cultural para gostar e compreendê-lo. E ainda, que os detratores de Anticristo não possuem estômago ou preferem não ser “desafiados” cinematograficamente.

Desafio pra mim é cantar o hino nacional com a boca cheia de bolacha, já a adjetivação prolixa e vazia, essa produz muitas vezes algumas pérolas da semântica, como partir do princípio de que qualquer termo sonoro carregado de um senso de “maldade” é sinônimo de qualidade imediata e auto-explicativa, tais como “filme ‘incômodo’, ‘brutal’, ‘visceral’, ‘repulsivo’”, como se em algum universo bizarro do outro lado do espelho a forma não tivesse relevância alguma em relação ao conteúdo. É louco isso, e é algo que supostamente era pra estar implícito (tanto que eu me sinto besta só de transcrever aqui): não interessa o que se filma. Um cachorro pode filmar algo digno dos adjetivos que usei ali em cima (2 Girls 1 Cup é um dos vídeos mais chocantes e repulsivos de todos os tempos, e nem por isso eu o coloco num top 10)

O poder está na câmera. Sempre esteve, certo? Dêem uma câmera pro Von Trier e uma pro Spielberg (que parece ser o cineasta-oposto pra esse exemplo). Peça pra que os dois filmem uma mutilação. Peça pra que os dois filmem uma partida de xadrez. Não basta narrar o pincel e se esquecer do pintor, não basta jogar elementos em cena e manipulá-los porcamente, e é isso que ocorre com Von Trier. Jogar ao vento cenas de sexo, violência ou raposas falantes como se os objetos simplesmente se bastassem em si, como se a pedra determinasse qualidade da escultura.

Tudo isso faz de Anticristo uma experiência quase insuportável. E que fique claro que, nesse texto, isso não é ponto a favor do filme, nem que tenha sido “intenção” do Von Trier produzir algo deliberadamente desagradável, o que seria estranhamente conveniente. Uma câmera na mão chatíssima, quadrada, com uma movimentação rápida e convulsa, e uma edição feita com aquela tesoura que a Gainsbourg usa; é como andar num carro velho com suspensão fudida enquanto uma paisagem de merda trepida pela janela.

E o mais legal de se ter o alvará do experimentalismo estampado na testa é que você pode se lixar pra questões de ritmo e narrativa, pode deixar a câmera cair no chão porque, afinal, faz tudo “parte do conceito”. O Robson falou algo perfeito sobre isso naquele chat citado no início do texto; disse que se o filme parte como “experimental” e continua preso ao conceito enquanto é visto mundo afora, a experimentação então falhou olimpicamente.

Aliás, é difícil se convencer de que não se trata de sarcasmo quando Anticristo é classificado por aí como um filme de terror (alguns ainda completam com “psicológico”, eu quase caio da cadeira). Von Trier não tem a menor idéia de como construir tensão, de como manipular atmosfera ou instaurar aquela iminência de perigo que quase te faz sentir vulnerável ao desconhecido ou sozinho no escuro, arma de tantos mestres da linguagem cinematográfica como Bava, Argento, Carpenter, Kubrick, De Palma, Bergman. Aliás, A Hora do Lobo pode ser um paralelo interessante de como realmente se filme o horror mental, porque de fato há essa certa diferença básica entre fazer uma porra WTF foda pra caralho, tipo Lynch, e fazer uma porra WTF que não passa de uma simples porra WTF, tipo curtas experimentais universitários pretensiosos e pedantes.

O cinema é efêmero. Vive de um quadro que se acende na tela, de um ângulo ou de um movimento em que a luz estava de determinada forma, e que agora já faz parte do passado. É som e imagem feito água corrente, e é a este tempo presente e incapturável que a arte de comunicar pertence, fotografando os sentimentos e os deixando adormecer na memória. A partir do momento em que seu filme falha enquanto é luz transcorrendo na tela, ele falha enquanto cinema, e não serve nem pra estar ao lado de um documentário da vida animal na prateleira da locadora.

Luis Henrique Boaventura"

Rárárá, chupa Lars!!!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

um 'recorta e cola', sobre a extradição de Cesari Battisti

Bem, se interessar a alguém, deixo a seguir dois textos, um de meu professor Marcos Nobre, o outro de um filósofo francês, Bernard-Henri Lévy. Os dois falam sobre o caso de Cesari Battisti. Ambos foram publicados pelo jornal Folha de São Paulo, que, por mais reacionário que se mostre, ainda é um dos poucos grandes jornais (talvez o único) a abrir espaço para a expressão de diferentes pontos de vista.

"Carta aberta ao presidente Lula sobre Battisti
BERNARD-HENRI LÉVY
25/11/09
PREZADO presidente Lula, Sei bem que o debate sobre o caso Cesare Battisti, antigo militante dos Proletários Armados pelo Comunismo, acusado de atos de terrorismo na Itália dos anos 70, tem despertado paixões no seu país.
Também sei que o jogo das instituições brasileiras, o esgotamento dos procedimentos previstos na sua democracia e a decisão apertada a favor da extradição, tomada pelo Supremo Tribunal Federal após longo julgamento, fazem com que agora caiba ao senhor, e ao senhor apenas, o poder de decidir se esse antigo militante, que se tornou um escritor de sucesso, deve ou não ser entregue à Itália.
Senhor presidente, inicialmente gostaria de lhe dizer que ninguém mais do que eu tem horror ao terrorismo. E desejo deixar claro que a luta contra esse terrorismo, a luta contra o direito que alguns se atribuem, nas democracias, de fazerem a lei eles próprios e de recorrerem às armas para fazer com que suas vozes sejam ouvidas é uma das constantes, senão a constante, de toda a minha vida de homem e de intelectual.
No entanto, se me dirijo a Vossa Excelência, é exatamente porque não está provado que Cesare seja esse terrorista que uma parte da imprensa italiana descreve e que, se tivesse cometido tais crimes, não mereceria nenhuma indulgência.
Ele foi condenado como tal, eu bem o sei, por um tribunal legalmente instituído, num país cujo caráter democrático não imagino, em nenhum momento, colocar em dúvida. Mas até as melhores democracias (a França sabe disso, pois, durante a guerra da Argélia, tomou liberdades com a liberdade, e os EUA de Bush, após o 11 de Setembro...) podem incorrer em erros e cometer injustiças.
O processo de Cesare Battisti, esse processo que o reconheceu culpado há 21 anos pelas mortes de Santoro e Campagna, levanta, nessa circunstância, ao menos três questões às quais um homem imbuído de justiça e de direito não pode ficar insensível.
A primeira diz respeito ao testemunho e às provas produzidas pela acusação e a partir do que Battisti foi condenado: trata-se, essencialmente, do testemunho de um arrependido, quer dizer, de um verdadeiro criminoso que trocou, à época, sua própria condenação pela denúncia premiada de alguns de seus camaradas.
Battisti havia fugido para o México e, depois, para a França quando o arrependido Pietro Mutti imputou-lhe a totalidades dos crimes da organização em que militavam. Todos os observadores que tiveram conhecimento do caso não acreditam ser possível nem verossímil que um jovem de 20 anos tenha cometido tais crimes.
A segunda questão diz respeito a um principio da Justiça italiana e ao fato de que, diferentemente do que se passa em vosso país ou no meu, os condenados à revelia não têm, mesmo se forem capturados, se se entregarem ou se forem extraditados, direito a um novo processo no qual possam se defender.
Assim, se Vossa Excelência decidir recusar a Battisti o status de refugiado e deixar, então, que ocorra o procedimento de extradição, ele irá, logo que voltar à Itália, direto para a prisão (perpétua, já que tal é a pena a que foi condenado, sem apelação, no processo à sua revelia) e será o único condenado à prisão perpétua que jamais terá tido a possibilidade de se encontrar com seus juízes para confrontá-los e responder, pessoalmente, cara a cara, a respeito dos crimes que lhe são imputados.
E acrescento, finalmente, esse detalhe sobre o qual o mínimo que se pode dizer é que não é apenas um detalhe: Battisti nega os crimes que lhe são imputados. Numerosos são os seus colegas escritores e numerosos são os juristas que, após o exame do processo, acreditam ser plausível sua inocência. De sorte que corremos o risco de ver terminar seus dias na prisão um homem cujo único crime seria, nesse caso, ter acreditado, durante sua juventude, nas teorias da violência revolucionária.
Eu amo o Brasil, sr. presidente. Amo o exemplo que ele dá ao mundo de uma política fiel aos ideais progressistas e, ao mesmo tempo, aos princípios de equilíbrio e sabedoria. Eu ficaria consternado -somos muitos que ficaríamos consternados- de ver "nosso" Lula macular a tradição de acolher os refugiados, que é um dos orgulhos de seu país.
Extraditar Battisti criaria um perigoso precedente. Não extraditá-lo mostraria ao mundo, que tem os olhos voltados para o Brasil e para Vossa Excelência, que existem princípios que nem a razão de Estado nem a lógica dos monstros sem emoção podem suplantar. Eu peço a Vossa Excelência que aceite, senhor presidente, a expressão de minha simpatia, de minha admiração e de minha esperança. Atenciosamente,

BERNARD-HENRI LÉVY, escritor e filósofo francês, é fundador da revista "La Règle du Jeu" e colunista da revista "Le Point" e de diversos jornais em diferentes países.

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Battisti
Marcos Nobre
17/11/09
AMANHÃ SERÁ retomado e provavelmente decidido o caso Cesare Battisti. O processo tem provocado divisões acirradas e decisões apertadas em grande medida porque muitas vezes não se sabe ao certo o que realmente está em causa. Principalmente depois que os argumentos do ministro da Justiça para conceder o refúgio embaralharam os termos do debate público e do próprio julgamento no STF.
Com a concessão do refúgio, o problema deixou de ser apenas o da natureza do crime, se político ou comum. No âmbito externo, virou uma disputa sobre a natureza da relação de dois países democráticos soberanos que mantêm entre si um tratado de extradição. No âmbito interno, passou a ser uma decisão sobre a própria separação de Poderes, sobre os limites dos Poderes Executivo e Judiciário. Não é à toa que os votos dos ministros do STF até agora tenham escolhido focos, problemas e fundamentações de decisão diversos.
Mas a natureza política dos crimes eventualmente cometidos permanece central. O próprio pedido de extradição feito pela Itália afirma a intenção política dos atos cometidos. E, de acordo com o tratado em vigor, o reconhecimento do caráter político do ato impõe automaticamente o indeferimento da extradição.
Uma sociedade democrática não pode vacilar em responsabilizar criminosos políticos. Todo e qualquer ato que atente contra a democracia deve ser considerado crime, e os eventuais autores devem ser processados e responsabilizados segundo o devido processo legal próprio de um Estado democrático de Direito. Mas há uma diferença importante a observar aqui.
É político o ato terrorista que pretende desestabilizar uma democracia em nome de uma outra forma de governo, seja ela teocrática, seja ela de outra natureza. Para um tal tipo de crime político não deve haver qualquer atenuante.
Mas esse caso de atentado contra a democracia não deve ser confundido com o crime político cometido em nome de pretensas limitações da democracia existente, em nome de uma democracia que o autor do crime não vê se realizar de fato.
Ao responsabilizá-lo pelo crime de não ter buscado ampliar a democracia por meios democráticos, a sociedade democrática deve lembrar ao mesmo tempo das suas próprias origens nas revoluções do século 18 e nas lutas políticas por vezes violentas que a moldam até hoje. Deve lembrar que não pode sobreviver se não se democratizar cada vez mais, se não permanecer fiel ao impulso que a produziu. É essa lembrança que deveria impedir a extradição, por motivos políticos, de Cesare Battisti."

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

sobre fernanda young e mulher pelada em geral


Pra quem deu um pulo na banca de jornal neste mês pôde dar uma espiada numas das melhores capas que a playboy já produziu em muito tempo - talvez a melhor desde dezembro de 2006, com a Karina Bacchi - com a escritora e apresentadora Fernanda Young, de 39 anos. Talvez possamos até colocar esse ensaio no mesmo cenário do ensaio da Marina Lima, em novembro de 1999.

Me explico, reproduzindo aqui uma mensagem da Fernanda em seu twitter:

"10 motivos para posar para a Playboy:

1) Salvar o erotismo das mãos da breguice.
2) Não devo nada a ninguém.
3) Em alguns lugares do mundo, mulheres ainda são obrigadas a tampar seus corpos.
4) Vingança pura e simples.
5) Nos meus livros, eu me exponho mil vezes mais.
6) Vou fazer 40 anos ano que vem.
7) Irritar a minha mãe.
8) Estou me lixando para o que os idiotas vão achar.
9) É a primeira vez na história que a coelhinha da Playboy tem 8 romances publicados.
10) Não existem ex-BBBs suficientes (aleluia)."

Bem, eu nunca li nenhum livro dessa mina, não assisto seu programa, só conheço ela como roteirista dos Normais. Mas acho muito massa esse lance de ficar pelado. Muita gente acha que posar nua é um troço que diminui a mulher, algo machista, vulgar e talz. Talvez seja um pouco sim, mas, mano, a garota decide o que faz com o seu corpinho. Seja ela uma modelo revelada num reality show inútil, ou uma apresentadora/escritora.

Talvez o único ponto que me desagrada, além de uma certa hipocrisia ao criticar as gostosas do big brother, é essa intelectualização do initelectualízável. Fazer fotos com o livro do Bukowski, em p&b ou com bondage não a torna superior às BBBs, pois tanto ela quanto uma mulher-fruta posam nua por dois motivos fundamentais: dinheiro e vaidade.

Esses são baita motivos, pra mim, mais que suficientes.
Só essa atitude de pagar de intelectual na playboy é que é foda.
Ela devia é ter exigido pra sair as fotos junto com uma entrevista sua, pois esse tipo de coisa nunca foi feito. Daí sim, o serviço estaria completo.

E só pra finalizar, assumo aqui que sempre gostei de ver mulher pelada, mas não fazia isso porque Deus não gostava. Agora que Deus tá bem afastado da minha vida, posso enfim assumir isso. Acho uma bobagem tremenda quem fala bem do Manara, do Crepax, do Marquês de Sade, Henry Miller, Império dos Sentidos, mas critica Silvia Saint, a Gianna, os filmes da Buttman e a Playboy. Mano, no fim das contas é tudo putaria. Com arte ou sem arte, é tudo gente pelada!

Hahauahuahahahhahahshusdh!!!!!





quinta-feira, 19 de novembro de 2009

sobre o ifchstock

Acontecerá amanhã, ou melhor, hoje à noite, quinta feira, a partir das dez da noite, o IFCHSTOCK QUATRO, no instituto de filosofia e ciências humanas da Unicamp. Fiquei muito feliz ao saber que a festa seria numa quinta, e não sexta, como vinha acontecendo. Assim poderei ir nesta que já é a festa mais polêmica do ano na Unicamp.

A audácia de produzir um evento como esse é grande, já que as festas no campus foram terminantemente proibidas pela reitoria. Todas as festas tradicionais no campus desapareceram, e o que se vê são festas acontecendo em casas de show que ficam perto de Barão, ou nas próprias casas dos estudantes. Um pequeno grupo de alunos da Sociais teve muito peito ao assumir a responsa de organizar essa nova edição do festival, que atrai loucos de toda a cidade, tocando rock durante toda a madrugada.

Gostei muito do manifesto que o pessoal do CACH escreveu.
Vou reproduzir aqui, pois vale a pena dar uma lida.

"Em busca da vivência universitária, chamamos a todos os Centros Acadêmicos e o Diretório Central dos Estudantes a agir e discutir a autonomia da universidade e a ocupação dos espaços públicos.

A política de segurança da universidade está se transformando em restrição do acesso ao espaço público e em repressão dos movimentos sociais, políticos e artísticos em nome de uma “tal” preservação do patrimônio público. Não só a proibição de festas, mas o impedimento de eventos como o Festival do Instituto de Artes, BioArt, IFCHSTOCK e outras ações dos estudantes universitários estão sendo marginalizadas, privando-nos do direito básico de nos reunirmos!

Buscamos, com esse manifesto, construir uma resposta política e coletiva contra um processo de isolamentos locais que está assolando o universo estudantil. O campus vem se tornando lugar de passagem e produção, onde os espaços comuns já não existem para a própria comunidade acadêmica, muito menos para a comunidade ao redor. A necessidade de espaços de socialização e de dar movimento a essa inércia produtivista está dada! Deve-se assim, privilegiar a comunicação dos Institutos e diálogo dos estudantes com a comunidade.

Essa é a antiga fazenda do Barão Geraldo, que hoje se vê tomada por luxuosas casas - boas famílias usufruindo de todas as boas condições oferecidas pela vida universitária – que mais se assemelham à clausura do que à liberdade do Campus. A política da má vizinhança está instalada. Nossos vizinhos, a Associação de Moradores da Cidade Universitária – AMOC -, nos reprimem através de tramites (i)legais, chegando a nos ameaçar com multas e apelando à força violenta policial, o que legitima o aprofundamento desse processo.

Nessa lógica, a utilização dos espaços privados para a celebração universitária vem aumentando. A universidade é nosso espaço e de toda população ao redor dela, portando devemos usufruí-lo e ocupá-lo!

Diante disso, estamos próximos a presenciar um dos maiores eventos da UNICAMP, o IFCHSTOCK, que, logicamente, é muito ameaçador à situação que nos está imposta. Conclamamos os Centros Acadêmicos a se solidarizarem jurídica, política, econômica, socialmente e a sustentar a manutenção não só do IFCHSTOCK, mas desse tipo de atividade do campus.

COLETIVO IFCHSTOCK"

Em tempos em que reitores expulsam alunas pelos trajes usados, me dá um baita orgulho de estudar num lugar onde há discussões de caráter político até nas festas produzidas. Amanhã não faltarei de jeito nenhum. Com polícia ou sem polícia.


(essa foi foda: cartaz do proibidíssimo ifchstock, pregado em pleno bandejão - 18/11)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

up - altas aventuras

Belíssimo e emocionante filme.





quinta-feira, 5 de novembro de 2009

um post sobre a minha namorada

Cheguei destruído do futebol.
Tomei banho, deitei e dormi.
Acordei, vi o Furo MTV, me troquei e saí.
Ia rolar Los Hermanos Cover no Rudá, aqui pertinho, só 8 reais.
Passei no bar do Ademir. Pedi um xis salada com ovo e uma itubaína.
Comi e voltei pra casa.

Ok, a pergunta é: por que diabos eu não fui lavar a alma no show cover da banda que eu mais adoro no mundo. Pq decidi ficar em casa nesse calor dos diabos? Ahn, anh???

Estou sem a minha gatinha aqui comigo.
Sem ela não dá graça fazer as coisas.

Enfim, me deu vontade escrever sobre a Mazu, talvez assim o tempo passe um pouquinho mais rápido e ela chegue mais cedo. É muito bacana perceber que me meti meio sem querer numa relação que funciona incrivelmente bem. Uma cliente do meu bar com um perfil que não costuma chamar muito a minha atenção conseguiu ser o foco de toda ela, fazendo com que eu suasse um pouquinho pra me mostrar como um sujeito culto e interessante. Imaturidade do meu lado, maturidado do dela, estamos a mais de um ano dando risada e tomando café da manhã juntos, levando uma vida que é o sonho idílico de muita gente.

Às vezes eu vejo uns casais brigando, se ofendendo, mó treta, daí eu acho isso tudo muito bizarro, porque a pegada dum relacionamento é ter alguém com que você se dê muito bem. Se não tá bem, fique sozinho! Muito melhor. Passei quase toda a minha vida sozinho, e não acredito que tenha sido muito mais medíocre do que a média. O cinema me salvou, é claro, mas é incrível como a solidão faz milagres, aliás, acho que aprendi mais coisas sozinho do que talvez aprendesse se fosse mais um daqueles adolescentes estúpidos namorando adolescentes estúpidas. Sei que fui um nerdizinho tímito toda a minha vida, mas gosto de pensar que passei os meus primeiros 23 anos me preparando pra ser um bom namorado pra Mazu.

E uma hora eu tinha que acertar na sena, né, a Mazu é minha primeira namorada, os pais dela foram meus primeiros sogros, é a primeira vez que uso aliança. E é um amor tão de verdade, tão desprovido de máscaras. Tão sem egoísmos, tão dedicado. Massa isso. Dá vontade ter filhos logo, só pra olhar pra molecada e ver a cara da mãe reproduzida ali. Hehehheheh.

Pra terminar, é muito bem ter chegado aos 24 na companhia da Mazuca, que é a companheira mais dedicada que um homem poderia querer. Eu pensei em falar sobre os defeitos dela, mas não consegui pensar em nenhum. Isso soa como um puta clichê, mas é verdade! Por exemplo, ela costuma dizer que é bagunceira. Eu acho ótimo. Se ela fosse arrumadinha, iria me encher o saco pra que eu fosse ainda mais organizado que ela. Ufa, ainda bem que ela é toda bagunça!

É com esse tipo de menina que dá prazer pensar em ficar velhinho junto, tipo aqueles casais de vovôs que, quando um morre, o outro vai logo em seguida. Eu entendo. Não dá pra viver sem. Não faria sentido.

Assim como não faria sentido algum ir pra festa sem a mulher que é a razão da minha felicidade.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

à galera da uniban

Visitando o blog do professor Roberto Romano, descobri esse vídeo do grupo Língua de Trapo. Romano escreveu:

"Dedicada aos estrupadores e às invejosas que atacaram a Geisy na UNIBAN. Também dedicada ao povo do Programa Hoje em Dia (sic) da Record"

Achei pertinente.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

sobre inglourious basterds, do sr. quentin tarantino

Em primeiro lugar, quem ainda não viu, corra pro cinema pra ver.

O filme é foda demais.

O sétimo filme de Quentin Tarantino foi saudado por quase toda a crítica especializada como o atestado de maturidade do diretor, uma obra de fôlego e original, com uma fortíssima marca autoral.

Eu vejo esse Bastardos como uma retomada do que o Tarantino vinha fazendo desde seu primeiro filme, Cães de Aluguel, passando por Pulp Fiction e culminando com Jackie Brown, que é basicamente filmes com personagens fortes, diálogos longos e muito bem escritos e estética fortemente influenciada pelo "cinema das antigas". Após Jackie Brown, Tarantino passou 7 anos sem lançar um filme, jejum este só quebrado pela primeira parte do Kill Bill, que era um projeto pessoal de fazer um filme de ação. E aqui é importante notar uma mudança de tom, Kill Bill é um filme de ação, como nenhum de seus outros 3 filmes tinham sido. Veio então a segunda parte, que tem mais a cara dele, mas mesmo assim é um filme de ação. (Desnecessário dizer que eu adoro os dois Kill Bill, acho foda).

Depois disso ele lança um filme de carros, este sim seguindo a sua pegada característica de realizador: À Prova de Morte tem sua primeira metade composta de conversas extremamente inúteis, a rigor quase nada acontece que seja fundamental para a trama. Contudo, os diálogos são muito bem escritos, e o filme funciona que é uma beleza. A segunda parte é composta de perseguições de carros, numa pira de filme de perseguição de carros totalmente saída dos anos 70. O mais bizarro é que o filme é de 2007 e ainda não foi lançado no Brasil, o que fez com que pouquíssima gente o visse.

E este ano o cara lança esse filme de segunda guerra que é totalmente diferente de tudo o que já foi feito sobre o período. O filme é uma ficção que inverte o papel exercido pelos protagonistas da guerra: os judeus formam um pelotão de extermínio de nazistas, conhecidos e temidos pelos alemães pela violência com que praticam suas execussões. Embora o filme leve o nome desse pelotão, eles aparecem pouco. Sei lá, tipo, de duas horas e meia de filme os bastardos não chegam a ocupar 1 hora. São inúmeros outros personagens que o filme explora, alguns realmente fascinantes, como o coronel Hans Landa, o soldado Fredrick Zoller, a francesa Shosanna Dreyfus e outros, e alguns personagens nem tão interessantes assim.

Há cenas longas, talvez até longas demais. A história se desenvolve sem pressa nenhuma, os diálogos banais vão se adensando lentamente, até tornarem-se importantes a ponto de culminar numa ação crucial ao filme. Nesse ponto, creio que o Bastardos deve muito ao Sérgio Leone, que tinha todo um cuidado com as preliminares dos duelos de seus faroestes, que tinham explosões rápidas de violência. Com os Bastardos acontece o mesmo.

De todos os amigos que viram o filme, só um o criticou. E achei a crítica justa. O Gabriel lembrou que, quando havia diálogos banais em Cães de Aluguel, quem os protagonizava eram Steve Buscemi, Harvey Keitel, Michael Madsen, Tim Roth. No Pulp Fiction, rolavam diálogos absurdos entre John Travolta e Samuel L. Jackson, mas veja, os personagens desses caras são incríveis, fundamentais para a trama, além de serem atores consagrados. Em Bastardos Inglórios o que se vê são diálogos longos e banais protagonizados por atores alemães que ninguém conhece, e que não tem importância nenhuma pra trama.

Mas ainda assim é um grande filme.





terça-feira, 20 de outubro de 2009

sobre coisas que se esvaem no tempo

Esses dias eu me peguei no mercado procurando uma lata de Quik. Aquele mesmo, do coelho, que faz do leite uma alegria. Procurei, procurei, e não encontrei! Fiquei pensando se ele ainda existia ou não.

E então hoje eu fui fazer compras com a Mazu em outro mercado, onde encontramos essa belezinha aí:



Só que não é o Quick. É Nesquik!!!
Putz, assim não vale!

É a mesma coisa do suco Mais. Eu adorava, dai a Coca Cola comprou o Mais e o Del Vale, então vende um suco chamado Mais + Del Vale. Tipo, sei lá, acho bizzaro essa homogeinização provocada pelo capitalismo da nossa época. As coisas são cada vez menos diferentes, pouquíssimas empresas dominam quase todos os produtos que compramos no mercado!

Enfim, espero que o gostinho de morango ainda seja o mesmo de antigamente!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

sobre jogar bola


O pessoal do meu instituto da unicamp, o IFCH, organiza uma campeonato de futebol num campinho que tem lá perto. Se chama muchachão. (lê-se mutchatchão).

Eu estou no terceiro ano e nunca joguei nesse campeonato. Aliás, eu não gosto de jogar bola. E a explicação é aquela clássica: na escola, eu era sempre o último a ser escolhido, os outros meninos ficavam gritando comigo e dizendo que eu era ruim, o que fazia da educação física um tormento constituído de torturas psicológicas e humilhações mil. Nos últimos 3 anos, joguei bola 3 vezes, nos amistosos de início de ano dos bixos Vs veteranos. E só.

E aconteceu que no início do mês o meu bixo Gabriel me informou que eu tava no time dele, intitulado "Mete o Loko". Eu, aliás, ia jogar no gol. Topei na hora, mas foi meio triste, porque mesmo com um time composto de caras que não jogam nada, me botaram no gol, ou seja, entre muitos caras ruins, eu era o pior.

Mas não foi tão ruim assim.

Na verdade, foi bem divertido.

Os caras mais legais da Unicamp estavam no time. Todos se esforçaram, sem nenhuma cobrança. Jogávamos pelo prazer de jogar. E, surpreendentemente, eu defendi vários chutes que os inimigos catimbaram no nosso gol, levando nossa pequena torcida ao delírio. O resultado do primeiro jogo foi 9 X 0 pro adversário, mas nós comemoramos a plenos pulmões o fato de não ter passado de 10!

Semana passada se deu o segundo jogo. Nosso time estava mais entrosado, tocando mais a bola. Foi igualmente divertido. E o placar foi o mesmo, 9 X 0. Terminado o jogo eu fui jantar no bandejão, quando fui abordado por um carinha que disse "parabéns pelas defesas cara! Vocês são a resistência do futebol arte!". Achei isso muito dahora, fiquei comovido.

E jogamos nosso terceiro jogo hoje. Alguém disse que o time era superior e coisa e tal, mas o Mete o Loko tava jogando muito melhor. Perdemos de 5 X 0, mas com um delicioso sabor de vitória.

Enfim, eu continuo tendo as minhas restrições com relação aos esportes. Ainda sou categoricamente contra competições, pois acredito que elas trazem à superfície o pior das pessoas. Mas eu não dou a mínima pra esse negócio de ganhar, pra mim vitória e a derota são iguais, dá tudo na mesma. O negócio é se divertir, dar risada, ir tomar um cerveja depois e relembrar os lances mais legais do jogo.

E tenho dito.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vamos Falar Um Pouquinho Sobre O AntiCristo, De Lars Von Trier

Acabei de ver o último filme do Lars Von Trier. O Anticristo.

Quem me conhece sabe que eu não gosto do Lars.

Gosto de alguns filmes dele. Talvez eu goste de quase todos, mas alguma coisa não me agrada nesse dinamarquês.

Eu não gostei do Anticriso.



O filme é composto de prólogo, quatro capítulos e mais epílogo, acentuando o caráter de fábula do filme. Me irrita um pouco essa pretensão de literatura em seus filmes, sei lá...é um filme desagradável, da metade pra frente é um tormento. Acho que o filme justifica uma visão anti-feminino, legitima a morte das mulheres ao longo da História. Isso é irresponsável. Não quero falar muito do filme aqui, já que talvez você que me lê queira assistir e ter suas próprias surpresas.

Mas o que eu acho é isso: o filme é muito artifício pra pouco conteúdo. Melhor dizendo, é muito artifício prum conteúdo errado e revoltante.

O filme cumpre a função de chocar e provocar discussão.

Mas poderia ter feito isso usando outros caminhos.

(O filme é dedicado ao diretor russo Andrei Tarkovsky, mas há um abismo gigantesco [e aparentemente intransponível] entre estes dois realizadores)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

um blogue incrível

Esse menino tem 20 anos, e teve um ótima idéia prum blog.
Passou a pedir pra que pessoas famosas desenhassem um hipopótamo pra ele.

Vale a pena dar uma olhadinha.
É bem interessante.

http://hipopotamozine.blogspot.com/

terça-feira, 8 de setembro de 2009

sobre aprendizado e superação de si

"Tão logo expressamos uma coisa com palavras, e estranhamente ela como que se desvaloriza. Pensamos ter mergulhado no mais fundo dos abismos, e, quando retornamos à superfície, a gota d´água que trazemos nas pálidas pontas dos nossos dedos já não se parece com o mar de onde veio. Imaginamos haver descoberto uma mina de tesouros inestimáveis, e a luz do dia só nos mostra pedras falsas e cacos de vidro. Mas o tesouro continua a brilhar, inalterado, no fundo escuro."
Maurice Maeterlinck

Às vezes, quando estou quase cochilando, entro num estado transitório entre sono e vigília, o que me permite recordar eventos que minha memória tem dificuldade em recuperar com as vivas cores da consciência. Tão logo eu desperto, essas delicadas recordações se esfumaçam , me permitindo apenas o gosto indeterminado de sentimentos perdidos, e que dificilmente consigo recuperar.

São nesses momentos narcolépsicos que eu me lembro daquela época em que eu tinha meus 15, 16 anos. Época de muita dor, muita solidão. Às vezes ficava quase uma semana inteira sem conversar com ninguém. Mas eu era um menino sempre otimista, sempre alegre. Me lembro de ler muito, ver muito filme, conversar muito com Deus. Eu me lembro de pedir a Deus uma namorada que viesse preencher meu vazio. Me recordo frequentemente dos meus amores platônicos. Eram verdadeiros. E me causaram tanta dor e sofrimento.

As pessoas brincam, dizendo que bonzinho só se fode. É uma coisa verdadeira, mas não tem graça nenhuma. Mas as pessoas que não são boazinhas também se fodem, essa é a condição humana. A de sofrer um sofrimento que não tem sentido. A angústia de não existir sentido algum para o sofrimento.

É na adolescência que nos damos conta que somos seres doentes. Como aquele personagem do Memórias do Subsolo, do Dostoiévski. E seres desesperados, como o Raskólnikov, de Crime e Castigo. É o preço da civilização: a doença. Na época, imaginava que este estado angustiado era inerente ao ser humano, que era necessário sofrer, que Deus assim desejava. Não havia saída, só a esperança que algum dia uma linda garota me resgataria daquela vidinha triste e vazia. Mas, como já disse, eu era um menino alegre. Eu me achava feliz. Talvez realmente fosse.

Dois livros lidos depois dos 20 resgataram alguns destes sentimentos: O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, e, de forma bem mais profunda e metafísica, O Jovem Törless, de Robert Musil. Grandes e perturbadores romances, sobre o absurdo terrível que é a adolescência.

[eu então pouso as mãos sobre o teclado e me perco em pensamentos que não consigo ao certo precisar, mas que margeiam acerca do absurdo terrível que é a vida]

...

...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

tantos filmes, tão pouco tempo...

Esses dias eu comprei aquele livro "1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer", lançado pela sextante, e que reúne resenhas de 1001 filmes, selecionados por diversos críticos ao redor do mundo. Achei bem legal, porque funciona como um panorama inicial do que se tem feito em cinema durante esses pouco mais de 110 anos. Daí me surgiu uma dúvida: quantos desses 1001 filmes eu já tinha visto? Fui então pra contagem.

Achei interessante o resultado, talvez porque eu seja considerado pelos meus amigos como o cinéfilo por excelência, que revela haver muito chão pra que eu me considere entendido no assunto. Enfim, destes 1001 filmes assisti a 406. Não achei de todo ruim, mas é uma marca baixa pros meus objetivos. Enfim, é apenas uma lista, há muito filme bom que não entrou. Eu poderia criar facilmente uma lista alternativa com mais 1001 produções, o que leva a pensar: "cara, tem muito filme no mundo!"

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

sobre blogs

Esses dias eu tava caminhando na Unicamp e pensando nesse blog. É possível que daqui a cem anos ele ainda esteja aqui, com todos os textos e fotos, pra qualquer um que queira ver. E isso é muito doido. Como é que cabe tanta coisa assim na internet?! (puta perguntinha de velho, não?)

Bem, o mais divertido é pensar que meu filhos, se quiserem, poderão ler esse blog, e vão saber muita coisa sobre o pai, muitíssimo mais coisas do que sei dos meus. Isso é bem legal. Mas ainda acho o blog muito frágil, afinal, posso reescrever qualquer texto a qualquer momento. Sem falar da questão da caligrafia, que e algo que sinto muita falta. Essa padronização da escrita através do teclado me desagrada bastante. Sinto alguma falta de receber cartas e ver a caligrafia da pessoa que está escrevendo.

Mas no geral, o blog é um negócio bem legal.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

sobre dinheiro

Tem gente que gosta de dinheiro. Não acho que seja o meu caso. Minha relação com o dinheiro é exclusivamente instrumental. Preciso de dinheiro todo o mês pra comprar livros no sebo, quadrinhos antigos e dvds. Se eu recebesse todo o mês um vale no sebo e na fnac, com um limite razoável, abriria mão fácil do dinheiro. Nunca fui muito de juntar grana, prefiro bem mais gastá-la o mais rápido possível.

Mas hoje entendo que é ingenuidade tentar passar incólume pelo poder devastador do dinheiro. Quando se tem um emprego, ou melhor, uma pequena empresa, o dinheiro passa a ter uma importância que não existia antes. E quando se tem sócios, putz, só piora, você começa a brigar com seus amigos de anos por causa de dinheiro. É foda! E daí você se pega negando aumento pra bons funcionários, tomando atitudes que, sei lá, não era tua cara.

Acho que o dinheiro nos faz piores. Ou talvez o dinheiro nos faça amadurecer e ser adultos. Bem, talvez seja a mesma coisa.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

sobre mais um motivo pra minha namorada ser a melhor



Tocaram a campainha as 9 e 30. Era o cara do sedex.

Um envelope pardo enviado pela Mazu, lá de Araçatuba

Assinei e entrei.

Abri e lá estava a edição de aniversário da Playboy, com a Priscila na capa.


Tinha um bigodinho rabiscado nela, além de estar pixado "gorda" nas coxas da foto da capa. Obra da ainda sempre ciumenta Mazu, minha namorada, mas o ponto não é esse. O ponto é que minha namorada me enviou por sedex a playboy que eu estava esperando a muito tempo. Isso é muito firmeza. Além de não implicar, ela ainda compra a revista pra mim.

Preciso casar logo com essa mulher!
(com a minha namorada, não a priscila)



(essa minha cara de felicidade tá osso!)
:D

antes que o diabo saiba que você está morto, de sidney lumet, 2007

Filme tenso, muito tenso. Daqueles que fazem a gente forçar a vista pra tentar captar todos os muitos detalhes importantes, os olhos querendo sair das órbitas pra tentar saber o que vem a seguir. O elenco é fortissimo, destaque pra Marisa Tomei (muito mais linda e talentosa aos 40), Philip Seymour Hoffman, Ethan Hawke e Albert Finney.

Um suspense exemplar, verdadeira aula de cinema. Se comparado ao "sonhos de cassandra" de Woody Allen, ganha fácil - que me perdoe o velho Woody.

Enxuto e sem frescuras.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

desejo e perigo, de ang lee, 2009


Impecável e impressionante este novo filme de ang lee, ambientado na China ocupada pelos japoneses em 1942. A trama política é tensa, eficiente, muito bem amarrada, e vê-se com prazer as duas horas e meia de projeção.

Além de uma história extremamente bem contada, desejo e perigo ganha pontos por suas honestas cenas de sexo. Interessante pensar que o sexo no cinema ou é bobagem hipócrita e elíptica apresentada no cinemão americano e europeu (e o resto do mundo segue a onda), ou é aquela ginástica bizzara do pornô, que é um troço completamente fora da realidade.

Belíssimo filme.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Cristóvão Colombo - O Enigma, de Manoel de Oliveira, 2008


Belíssimo filme que parte da tese de que Cristóvão Colombo seria português.
Fala da paixão de um médico pela história de Colombo, e dos tempos de glória das navegações, onde Portugal foi o primeiro país europeu a chegar a todos os cantos do mundo. Empolgante e invulgar, o filme conta ainda com o carisma de Manoel de Oliveira, com 99 anos, interepretando o personagem principal na velhice, junto com sua esposa, Maria Isabel de Oliveira. Um filme sobre paixão, identidade, Portugal, e também sobre o amor e a vida a dois.

sobre a bandinha nova que animou minha quinta à noite...

Cara, tava dando uma olhada nos meus e-mails, daí topei com a notícia que o rock'n'beats do dia 29 de agosto traria uma banda de curitiba, que tá sendo super comentada nos últimos tempos. Daí resolvi clicar no myspace, e, faz tempo que não sentia isso, rolou um prazer de ouvir uma banda pela primeira vez.
Putz, fazia tempo que não conhecia uma banda que me deixava bem.



Adoro essas indiezisses bestas!
:D

(Ah, e é claro que eu vou ver a banda dia 29!)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Dossiê Rê Bordosa, de Cesar Cabral

Puxa vida, o YouTube é o máximo!
Ontem mesmo eu assisti um documentário francês sobre as filmagens de Samuel Fuller em maio de 1945, quando seu pelotão chega ao campo de prisioneiros de Falkenau. Um documento raríssimo, ao alcance de um clique.

E hoje, olha só o que eu encontro: Dossiê Rê Bordosa!

Vale a pena, o universo do Angeli é rico, divertido e ilimitado.
E pra quem não viu, veja "Wood e Stock - Sexo Orégano e Rock&Roll"

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cecil B. Demented, de John Waters, 2000


Taí um filme que quase me leva às lágrimas!
Não porque seja bonito ou emocionante, pq definitivamente não é. Mas é que ele respira tanta paixão pelo cinema, tanto tesão por película, é um tal grau de engajamento fílmico que é genuinamente arrebatador.

Mesmo longe das escrotices extremas de filmes como Pink Flamingos e Mondo Trasho, John Waters alcança aqui níveis conquistados por poucos. Como aliás já é comum em sua incomum filmografia.

Demented forever!
E morte aos cinematicamente incorretos!

domingo, 2 de agosto de 2009

sobre os filhos da puta que fazem o que querem



Vamos lá: o filho da puta da esquerda, de cabelo branco, é o desembargador Dácio Vieira, que nessa sexta-feira pôs o jornal O Estado de S. Paulo sob censura, os impedindo de publicar as conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal, com autorização judicial, que mostram, entre outras coisas, o puto do Fernando Sarney discutindo com o puto do pai a contratação do namorado da neta do senador por meio de ato secreto no Senado. O filho da puta do meio, todos conhecem, é o Sarney, o novo protegido do filho da puta do Lulla. Pediu pro amiguinho desembargador pôr o jornal sob censura. O filho da puta de gravata vermelha é o Agaciel Maia, diretor do senado por 14 anos, tempo em que roubou dinheiro pra caralho. E por fim, o filha da puta da direita é o Renan Calheiros, um puto tão corrupto que dá até tristeza só de pensar.

São eles que mandam no Brasil, sob a proteção do querido Lula.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

o lutador, de darren aronofsky, 2008


Filmaço. Puta filmaço.

Relutei muito tempro pra ver o novo trabalho do Aronofsky. Gosto muito desse universo de luta livre ensaiada, onde tudo é muito páia, essa coisa teatral e infinitamente mais interessante que as lutas de verdade. Mas sempre que via as fotos do Mikey Rourque no filme, sei lá, não me parecia ser um personagem muito atraente. Mano, que filme! É honesto, tem força, tem drama. Uma carga trágica que eu não via há muito tempo. Tudo no filme funciona, até a Marisa Tomei, que está mais gostosa que nunca.

Grande Filme!

nostalgia numa manhã chuvosa

Ontem eu estava me lembrando como era legal trabalhar na 100% vídeo. Foi meu primeiro emprego, e na verdade o único (não conto o bar, pq lá sou sócio, não funcionário). Gostava de chegar as 3 da tarde e ir arrumar o expositor de filmes. Tinha que juntar os lançamentos mais novos, e separar dos lançamentos não tão recentes. E guardar os filmes mais antigos, que eram divididos por gênero. Os gêneros de minha responsabilidade eram o cult, clássico e arte. Mas com o tempo, peguei o drama também. Ir trabalhar me fazia bem, me dava prazer. Era como se aquele fosse o exato lugar onde eu deveria estar. Eu era o consultor de filmes de lá, o que significa que sempre que um cliente precisava de uma indicação, me procurava. Todos respeitavam minha opinião. Ás vezes alguém se lembrava somente de uma cena, ou de uma situação, e eu dizia qual filme era. Puxa vida, acho que salvei o final de semana de muita gente. E, sem dúvida, a parte mais legal do trabalho era lá pelo dia 5, data fazer a compra de filmes pro próximo mês. Era muita empolgação (não tanto do dono da loja, que não gostava de gastar dinheiro).

Pode parecer bizarro, mas adorava quando chovia e a locadora ficava abarrotada de gente. Simplesmente não dava pra trabalhar direito, todo mundo queria dicas ao mesmo tempo, e quase todos os filmes novos já tinham sido locados. Mas eu encarava como um desafio. Assim que chegava, ia buscar um pano pra colocar na entrada da loja, já que na correria nenhum funcionário tinha se dado conta que a loja estava imunda. A seguir, pegava no balcão os filmes mais recentes que tinham acabado de ser devolvidos. E então ia passeando pela locadora, deixando 2 ou 3 filmes na mão de cada cliente, mesmo aqueles que não tinham me pedido indicação. Todos ficavam felizes.

Ah, quanta saudade, quantas lembranças.
Aos 19 anos, quem precisa de amigos quando se tem os clássicos à disposição?
Aos 19, quem precisa de namorada, quando se tem duas prateleiras inteiras de filmes cult só pra você?

Bons tempos...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

considerações sobre um futuro acadêmico

Estou chegando ao segundo semestre do terceiro ano do curso de filosofia. É a hora de começar a pensar em qual será o tema da minha pesquisa, algum assunto que ainda não tenha sido esgotado, e que desperte algum interesse em mim. E, é claro, que contribua de alguma forma para o progresso do conhecimento acadêmico. Heheh.

Se faço filosofia, o natural seria pesquisar algo relacionado à área. Mas, sinceramente, acho que não tenho muito talento, nem disciplina, pra filosofia. Ainda acho que posso me tornar um bom historiador das idéias, mas não sou filósofo. Pensei em me debruçar sobre os livros de cinema do Giles Deleuze, mas teve um veterano meu que fez um trabalho tão incrível sobre esses livros, que acho difícil ir além do que já foi dito. Pensei então em pegar algum diretor não muito estudado, e analisá-lo, ou através da estética, ou da história da arte. Após considerar, pensei no Ivan Cardoso, que ainda tá vivo e tem uma obra meio que já concluída. Daí tem também o Júlio Bressane, que lança um filme por ano e que é bem complexo e cheio de referências, o tipo de trabalho intelectualizado ideal pros interesses acadêmicos. E por fim, pensei no Manuel de Oliveira, diretor português que já tem 101 anos de idade, e faz filmes desde 1942. Respeitadíssimo diretor, e que possui uma obra recente que creio não ter sido estudada. Além do que, é cinema europeu que não impõe a barreira da língua.

Me lembrei agora de uma garota que conheci no curso de francês, que estuda o som nos filmes da Lucrécia Martel. Achei isso interessante. Então o que tenho a fazer é detectar um elemento recorrente que forneça coesão à obra do cineasta, e a partir dele analisar toda sua filmografia.

Vamos ver se dá certo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Pérolas de Walter Longo

Sou um fã confesso do programa O Aprendiz, apresentado pelo Roberto Justus. Umas das melhores coisas do programa é seu fiel escudeiro, seu vice-presidente e conselheiro, Walter Longo. Enumerei algumas tiradas deste fino pensador capitalista, todas ditas durante as várias temporadas do programa.

"Brainstorm é igual a motel, se vc nao resolve em duas horas pode ir embora"
"Idéia não é igual a cachorro que vem quando a gente chama. Idéia é igual a gato que vem quando quer"
"Nada incomoda mais uma pessoa do que ela saber que a outra a desvalozira"
"A briga não é mais pela audiência, e sim pela atenção"
"o que induz a pessoa ao erro é a sensação de não poder errar"
"Por que almejamos a vida eterna, se não sabemos o que fazer num domingo a tarde?"
"As intransigências surgem na ausência do poder constituído"
"No mundo dos negócios quem não quer tudo não consegue nada!"
"Pato anda, nada e voa. Ele faz tudo, mas não faz nada direito"
" Prefiro errar pelo excesso do que errar pela omissão"!
"O bom comportamento é o ultimo refúgio dos medíocres"
"O grande sintoma da ingnorância humana é esperar resultado diferente fazendo sempre a mesma coisa"
"Quando uma pessoa se mata, ela não quer morrer, ela na verdade quer viver, mas não tem competência pra isso, por isso se mata"
“Vocês devem ver a situação como um filme, e não como uma foto!!! Deve existir uma continuidade”
"A Fernanda confundiu ação com movimento e pressa com correria"
"Você conhece as pessoas quando as demite e não quando as contrata"
"Existem hoje duas grandes escolas de Administração na análise da motivação corporativa: uma escola que diz que o ideal é botar a cenoura na frente das pessoas, outra escola diz que o negócio é botar a cenoura atrás das pessoas. E essa decisão sobre a posição das cenouras é o que normalmente se discute em Gestão Empresarial"
"Vocês complicaram um coisa simples e simplificaram uma coisa complexa"
"Ninguém tem uma segunda chance de causar uma primeira boa impressão"
"Nada é coincidência tudo é consequencia, do que você faz"
"Vocês ficaram igual abelhas, indo de um lado para o outro desembestadas e só conseguiram fazer cera"
"Quando um martelo é a única ferramenta que a gente tem, a gente tende a ver todos os desafios como um prego"

segunda-feira, 20 de julho de 2009

sobre blockbusters

Hoje eu encarei uma sessão dupla bem interessante: Transformers 2, de Michael Bay, e Harry Potter 6, de David Yates. Dois bons filmes, que me deixaram com vontade comentar um pouco mais sobre esse tipo de filme que arrasta tanta gente ao cinema.

O cinema norte-americano do fim dos anos 70 chegou a um nível de maturidade nunca antes vista. Filmes como Todos os Homens do Presidente, Apocalipse Now, Taxi Driver, Bonnie e Clayde, O Poderoso Chefão, A Última Sessão de Cinema, Operação França, eram obras realistas e amargas, com fortes doses de crítica política e social. E a sofisticação dos filmes era proporcional à queda nas bilheterias. Pra um país recém saído de uma humilhante derrota no Vietnã, o que menos convinha eram visões críticas do mundo. As pessoas não iam mais ao cinema, preferiam ver os I Love Lucy da vida em suas tvs domésticas. É então que, em 1975, Steven Spielberg cria um novo conceito em cinema com seu suspense, Tubarão. Milhões lotam as salas pra sentir medo e se divertir com o filme de férias. Em 1977, George Lucas lança Star Wars, fazendo do blockbuster a salvação de uma arte em vias de extinção.

Décadas depois, a regra em hollywood é produzir franquias destes grandes sucessos, garantindo assim os lucros. E é incrível como gente que não tem o costume de sair de casa pra ir ao cinema acaba cedendo e indo ver o grande filme da temporada. Acho isso legal.

Enfim, Transformers 2 é legal pra caralho, o filme que sempre quis ver quando tinha 14 anos. Pena que Optimus Prime apareça tão pouco, o que fez com que o filme ficasse menor que o primeiro. E algo que me incomodou foi a constante sensação de filme feito às pressas, meio nas coxas, dada a uma quantidade incrível de erros e absurdos vistos, mais do que a média de uma produção do tipo. Já o Harry Potter é um trabalho muitíssimo mais interessante, tanto pela sempre inventiva história, quanto pelo eficiente trabalho de direção. Pena que o final seja um tanto anticlimático, mas que ao meu ver não apaga o brilho do filme.