segunda-feira, 26 de abril de 2010

sobre o bizarro que me espreita

Domingo, 4 bandas de hardcore no Woody. Saio de lá quase 11 da noite, cansado e com muita fome. Espero o ônibus no ponto. Sozinho. Então aparece um cara de uns 30 e tantos anos, roupas apertadas, muito magro e muito gay. Me pergunta as horas.
- Dez pras onze.
- Ai, brigado. Qual é seu nome?
- Will.
- Oi Will, tudo bem? Meu nome é ... (não me lembro o nome dele). Você tá indo pra sua casa?
- Tô.
- Onde você mora?
- Ahnnnn..., perto do Dom Pedro.
- Ah, tá. Ai eu estou num estado de nervos que vc nem imagina. Tem essa pessoa, que eu gosto dela, sabe? E eu sou sensitiva. Passei 27 anos dentro da Umbanda, mas isso já passou, faz 5 anos que não boto o pé lá. Então, essa pessoa, eu vi a mão esquerda dela, e tava dizendo que a gente ia ficar junto. Só que eu não quero saber de enrolação. Você mora com os seus pais?
- Ahmnnnm, não, moro sozinho.
- Eu também. É bom morar sozinho, né?
- ...
Você acredita que hoje essa pessoa me ligou às nove horas da manhã só pra me falar oi?
- Ele só te disse oi?
- É.
- E mais nada?
- Ah, eu desliguei o telefone, já não aguento mais tanta enrolação. Se é pra ficar comigo, vamos morar junto, eu não acho ruim. Mas tem que se decidir. Porque se ele não me quiser, eu saio e consigo outra pessoa. Eu sou sensitiva, sabia? De que signo vc é?
- Ariano.
- Não, de que signo vc é?
- Ahnnnnn, Áries
- Ah, tá. Eu sou uma médium inconsciente. Depois que o santo baixa em mim, eu só fico sabendo sete dias depois. Ás vezes são 14 dias, e em outras 21. Sou médium de 4 fusíveis. Recebo o Exu, a Pomba-gira, o Cosme e Damião, o Preto e a Preta velha, e Iemanjá, de frente e de costas [enquanto fala os nomes de cada um, vira pro lado e começa a esbravejar "fica quieto que eu não quero mais saber de vc", "eu sei que vc tá aí", "fica no seu canto"].
- Mas aí vc saiu da Umbanda.
- É, eu fui pro espiritismo.
- Ah, legal. Vai até hoje?
- Não, faz 5 anos que vou à Igreja Adventista.
- (!) Legal...
- Ai, anota meu telefone, aí
- Ahnnnnnn, éé..., tipo, acho melhor não. Meu celular tá zuado.
- Mas anota aí, vc me liga do orelhão. Só pela amizade.
- Melhor não, eu sou muito pilantra, se eu anotar não vou te ligar depois.
- Você tava onde?
- Trabalhando.
- Onde vc trabalha?
- Num bar aqui perto.

O 134 aparece.

- Meu ônibus chegou. Té mais.
- Tchau, depois eu passo lá no seu trabalho pra gente conversar mais, tá.

Entro no ônibus rindo. Passo a catraca e sento no banco. Abro a mochila pra procurar a coletânea de quadrinhos que eu tava lendo. Percebo que esqueci lá no bar.

3 comentários:

Elessandra disse...

bizarro....

Ana disse...

G-zuiiiiiiiiiiis! oO

Bia disse...

hahhaha queria ter conhecido esse cara!