domingo, 13 de junho de 2010

vivendo e tomando no cu

Eu tenho um bar. O Woodstock.
Tenho constantes crises com relação a ele. Com ele aprendi um bocado de coisas sobre administração e responsabilidade, e foi também lá que conheci um grande amor para logo depois perdê-lo. Desde o começo do ano um dos ex-funcionários tem me atormentado a vida por causa de grana, e a iminência de um processo trabalhista paira sobre minha cabeça. Sempre fui um carinha simpático e boa praça. Me tornei irritadiço e mal humorado quando estou trabalhando. Sirvo cerva e bebidas com aquela cara de quem tá com as bolas inchadas, e na hora de cobrar a comanda é recorrente eu nem olhar pra cara de quem tá pagando. Às vezes surto porque acho que todo mundo acha o bar porco, sujo e mal organizado. Acho que todo mundo fala mal do bar, que todos me odeiam e só vão lá pq não existe outra opção pra se ir curtir um rock.

Bem, depois que o Hammer fechou, ouvir metal é no Woods ou no Sebastian, que cobra muito caro na entrada, inviabilizando se tornar um cliente constante. O bar do zé fica num distrito afastastado, o que faz do Woodstock realmente a única opção pra quem quer curtir rock em Campinas.

Mas as vezes rola umas coisas legais. Tipo, na sexta, uma mulher foi pagar a comanda e me disse "É a primeira vez que venho aqui. Faz tempo que não me divertia tanto numa noite. Parabéns pela casa". Abri um sorriso muito sincero. Isso me faz lembrar de muita gente que cola sempre no Woods, independente de estar tocando metal, indie ou gótico. Eles vão porque se sentem em casa no bar. Vão porque lá a bebida é barata. Porque dá pra ficar de boa, não tem frescura nem playboyzada. E porque, é claro, o som frequentemente é bom. Há gente muito querida lá. Realmente.

Na real, eu gostaria de ter condições de oferecer uma estrutura e serviços melhor no bar. De fazer a noite dos clientes cada vez melhor. Talvez minha frustração venha daí.

Bem, na sexta feira a polícia e agentes da prefeitura foram ao bar, integrando a operação Tolerância Zero, que vem fechando bares e baladas em Campinas desde o final do ano passado. Apresentamos nossa documentação, mas tomamos uma multa de Quatro mil e Quinhentos reais pra ser paga essa semana, pela falta de laudo acústico e por reclamação de vizinhos. Eles disseram que voltarão em breve, e se as reclamações persistirem, o bar será lacrado.

Vamos fazer de tudo pra que o bar se mantenha aberto, mas é possível que sejamos fechados.

Desde que o ano começou as coisas só tem piorado pra mim. São inúmeras merdas acontecendo, e não há previsão de melhora. A cada dia que passa tudo fica pior e pior. Mas mesmo no meio de tanta infelicidade ainda há momentos em que podemos distrair a cabeça e rir. Como quando eu encontrei o grande Rafael Castro, que tocou no Woods nessa mesma sexta.

2 comentários:

Carlota Vasconcelos disse...

Afora os palavrões, a vida tem de fato suas provações nos assaltando intermitentemente. São coisas que vem e vão, e vamos restando edificados. O motivo nos é estranho, mas o importante é que ainda estamos aqui, dando a cara à tapa, aguentando de tudo. Firme ai, Will. Como se diz, a fila anda e os últimos serão os primeiros. Beijão no coração.

tã-nã-nã-nãããã ♪ disse...

rafael castro já tocou em itapeva, é amigo de grande amigos meus, músicos de lá.

apesar de não gostar de ficar pagando de tiazinha evangelizadora, deus nos traz provações, mesmo. é foda. mas eu sei, por experiencia própria, que quando a gente sai inteiro de bostas como essas, a gente se olha no espelho e se sente a pessoa mais forte do mundo, quase invencivel. e é a melhor sensação do mundo. é só ter paciencia que essa sensação virá... e você vai gostar.