quarta-feira, 29 de agosto de 2007

meus doze anos

Poderia titular esta resenha como "o eterno retorno de uma adolescência patética", ou "previsibilidade de um gauche". Há 2 dias tive minha primeira experiência de estágio. Cumprindo um trabalho na disciplina de Educação, acompanhei uma turma de sexta série, no que totalizará 30 horas de acompanhamento.

Estava de certa forma ansioso, o novo sempre me preocupa, mas fui bem recebido pelos professores, o que é um ótimo começo. Mas vamos às crianças: 17 garotas e 13 garotos, com idades entre onze e doze anos. Incrível como são incapazes de fazer silêncio. Eles não falam, gritam. Não tinha nenhuma turma do fundão, como no meu tempo, mas algumas coisas nunca mudam: os hiperativos que correm initerruptamente de um lado pro outro, as meninas que passam o dia fazendo aquelas listas do tipo "quem você levaria para uma ilha deserta", os ultra-quietos, as inteligentes que sentam lá na frente, o gordo, a dupla que só conversa e não faz lição.

Acho que a escola é legal como ambiente de interação, um espaço de convívio com pessoas da idade deles. Estão na fase de curtir os mesmos tipos de música (geralmente ruim); fazem brincadeiras de criança, mas não se rotulam como tais; têm um certo senso de dever e responsabilidade, copiam a lição, tendo esmero com seus cadernos. Mas tudo que fazem é uma questão de hábito.

Por exemplo, o professor escreveu na lousa uma série de respostas à algumas questões. Uma delas era de caráter pessoal. Muitos reclamaram que esta tal resposta não foi escrita na lousa, pois, para eles, a coisa tem que ser seguida à risca. Não há nada de libertário nesse comportamento. É apenas bagunça. É apenas seguir regras, manter a rotina.

De todos os alunos, a que mais se aproximou de mim foi uma menina magrelinha chamada Hellen. Com sorriso cativante e postura atrevida, explicava o mundo de sua sala e fazia milhões de perguntas. A comparação com a Paulinha foi inevitável. Paulinha. Descobri o gosto amargo do amor com a Paulinha, menina pela qual fui fielmente apaixonado da quarta à oitava série. Ela era legal, mas nunca me deu bola. Cara, como aquilo era ruim. Dos 10 aos 14 anos, nunca pensei em nenhuma outra menina que não fosse ela. Não era bonita, mas achava que era a fonte de toda a paz que eu precisava naqueles duros anos de puberdade.

De manhã até a noite. Só ela preenchia meus ingênuos pensamentos e fazia meu virgem coração bater mais forte. Em retrospecto, não vejo nenhuma arte, nenhuma beleza, somente delírio e solidão, somente situações que me causavam dor e sofrimento. Afinal, passar o início da adolescência se sentindo um inútil defeituoso não é nem um pouco saudável.

E o patético é, se voltasse a ser o tímido garoto de 12 anos, me apaixonaria pela Hellen, seria firmemente rejeitado, mas permaneceria cultivando esse amor, como um doente cultiva seu tumor.

4 comentários:

-Rol disse...

É, é esse o meu amigo inteligente!
Sempre, sempre se superando - e superando tudo que eu espero que voce faça. Eu só tenho que discordar de uma coisa... Fala sério, o dia em que os pés de Uma Thurman forem bonitos, os meus são tão bonitos quanto a bunda da Karina Bacchi. =)
Eu te amo!
Acho que vou escrever algo sobre.
o/

Harry disse...

"Em retrospecto, não vejo nenhuma arte, nenhuma beleza, somente delírio e solidão, somente situações que me causavam dor e sofrimento."

Cadê sua estética trágica, cara? Não seria o delíro, a dor, a solidão e o sofrimento coisas sublimementes abjetas?

Elegia disse...

Este texto me levou a um retrospecto de minha infância,enfim...não espero ter em qualquer texto algum molde de como resolver meu problema em 5 segundos,afirmo e paralelamente também elogio os textos aos quais o Bill escreve,são simplesmente geniais,todos estes textos de uma forma não atingem apenas minha 'camada externa' do dia-a-dia e sim o âmago da minha de minha vida.
Cá estou desprovida de qualquer favorecimeto e sim dado o reconhecimento que sua escrita é cativante,abraços e até a
próxima.(HP)

rei disse...

ai!!! sabe!!! o renascimento da era moderna!!! o sentido da vida!!! a astrologia sem sentido!!! eu!!! vc!!!


PUTA QUE PARIU!!! EU SÓ PENSO EM SEXO!!11