terça-feira, 17 de março de 2009

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Uma das grandes alegrias da minha infância foi ter podido brincar muito no quintal de casa. Passaava a tarde toda construindo cidades, povoados, resistentes fortes de terra que estavam destinados a entrar em guerra contra as cidades de terra do Fernando e as cidades de terra do Jefferson, meu irmão. Eu me lembro das vezes em que a mamãe nos levava lá no bosquinho. Me lembro de toda a criançada construindo castelos de areia, e eu construia o meu com muito mais dedicação e esmero que qualquer outro ali. Lá pras 5, 6 da tarde, era hora de ir embora. E então toda a molecada se divertia destruindo aquilo que havia criado. Acho que se sentiam como o Deus do Antigo Testamento destruindo Sodoma e Gomorra, ou mandando o dilúvio à Terra. Todos gostavam de fazer isso, menos eu. Eu não destruía meus castelihos de areia. E não queria que eles fossem destruídos. Mas sempre vinha alguém e chutava a minha obra, fazendo com que eu dissimulasse, não sem um nó na garganta, toda a minha decepção perante aquilo que aos meus olhos infantis era um incontestável crime. Teve uma vez, lá em Boa Esperança - MG, que meu primo queria destruir meu castelinho, pra gente ir embora. Ele era uns 5 anos mais velho que eu (ainda é), acho que eu tinha uns 7 anos. Eu lutei com todas as minhas parcas forças pra que ele não o destruísse, mas foi em vão. Engraçado. Esta é uma as memórias com as cores mais fortes e vívidas que eu guardo comigo. Acho que desde muito menino eu queria fazer coisas duradouras. Talvez eu nunca tenha concordado com o absoluto poder da impermanência. Um mundo cheio de coisas corruptíveis, fadadas ao aniquilamento ou ao esquecimento. Uma vida cheia de experiências descartáveis, onde raríssimas coisas eram investidas de um real valor. Droga, agora estou pensando em todas as coisas que eu queria que fossem, mas que acabaram dando em nada. E em todas as coisas que já foram, mas que agora não são mais que emboloradas fotografias num velho álbum que eu raramente folheio. Eu odeio a impermanência. Odeio o estado provisório de tudo. Eu queria que os meus castelinhos de areia durassem para sempre.

2 comentários:

Mazu disse...

A gente quer e não quer,né? Porque eu acho que os humanos têm todo essa apego ao sempre porque ele não nos é possível. E se fosse, a gente ia se cansar e se irritar e enfim.
Acho que o carater perecível das coisas nos traz mais paixão e encatamento e vontade na vida, nós não somos criaturas que sabemos apreciar algo que está sempre lá. Precisamos da última hora, da pessagem, do recomeço, dos prazos, da renovação. Da perdas e ganhos em potencial e de fato. É o que nos move né, nem as pedras ficam sempre lá.

MARCOS disse...

também gostaria muito que as coisas durassem para sempre.Eu fui criado assim....em um mundo de fantasia plena onde as coisas boas estão "felizes para Sempre"..mas na verdade não estão!